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West Ryder Pauper Lunatic Asylum - Kasabian

Era 2004 e muitas bandas surgiam no pós-Strokes. Todo mundo acreditava fazer um som de vanguarda porém exibindo nuances de novidade. A maioria dos grupos que surgiu já eram vanguardistas demais com seus experimentos já experimentados e consequentemente não apresentavam nada de novo. A verdade é que tudo já estava enjoativo, aquela sonoridade de garagem, dizer que sua maior influência era o Velvet Underground e etc. Lembro de ter ouvido o Kasabian pela primeira vez nessa época, no jogo de computador FIFA 2004. A música era 'LSF' e aquilo sim chamou minha atenção. Tudo bem que até então eu estava satisfeito ao descobrir algumas bandas mais antigas, estava ainda navegando naquele mar de rosas do underground americano. Mas chamou atenção. As batidas que a banda mandava juntas de elementos eletrônicos deslumbrantes e um vocal arrojado de Tom Meighan era um conjunto de aspectos interessantes. Tudo bem, você poderia até já ter ouvido um som parecido nas décadas passadas, mas entre a nova leva do início do nosso século, aquilo soava prazeroso. A banda criada em Leicester, na Inglaterra, tinha um quê de do som maluco da 'Madchester' e suas bandas como Happy Mondays, Stone Roses entre outros ícones daquele estilo criado no início dos anos 90. Junte aí toda insanidade do Primal Scream e pitadas do rock clássico dos anos 70 e 80. Resulta em uma bela receita apimentada, não? E é assim que o Kasabian pode ser definido.

E por que eu não coloco o álbum de 2004 no blog? Pois bem. Foi lembrando desse álbum antigo e seu som empolgante, que dias desses resolvi relembrar. E depois de algumas audições, matei a saudade. Mas fiquei curioso: "será que eles deixaram a peteca cair?" e lembrei de ter ouvido uma música ou outra nesses TOP SEI LÁ O QUÊ que infestam emissoras de TV e sites da internet. Entre os três álbum lançados após o homônimo de 2004, escolhi ouvir o de
2009, o de nome complicado 'West Ryder Pauper Lunatic Asylum'. Fiquei boquiaberto. A faixa inicial 'Underdog' me trouxe as batidas típicas do primeiro álbum, assinalei isso como uma marca deles, eles não deixaram a peteca cair! Notas rasgadas e distorcidas, ideal para começar um show, atravessaram minha mente. É a herança do rock industrial. Me animei. 'Where Did All the Love Go?' é mais acessível, mais compreensível. A insanidade da um tempo e uma canção bem construída se revela ao ouvinte. 'Fast Fuse' é bombástica, efervescente, fulminante. Você ouve e se imagina em alta velocidade numa Autobahn da vida, sem limite algum. O riff copula com as batidas e cantos extensos e nessa sacanagem musical, vem à luz um hit poderoso. E quando a pausa brusca acontece ao som sensual de uma voz feminina? É uma viagem:

Gold lightning in the skyline
Gold lightning in the sky

Aperte o botão repeat sem medo. Não enjoa. 'Thick as Thieves' é bucólica, embalada em campestres acordes, sim, aquele folk que você já conhece, mas com uma dose de intensidade extra, letra cheia de analogias e o refrão atraente. Mas vou confessar uma coisa: a música que mais ouço é 'Fire', no finalzinho do álbum. Quem gosta de futebol e assiste a Premier League (o campeonato inglês de futebol) vai reconhecer que antes, no intervalo e depois das transmissões oficiais, o instrumental do refrão rola solto. Mas o refrão, a levada no estilo Blur, a típica soturnidade vocal e a carga explosiva pré-refrão, cantarolando FIIIIIIIIIIIRREEEEEEE! Bum! E aí aquelas notas grudentas no estilo 8-Bits dos velhos video-games envolvem tudo. Pra mim é o ponto alto, o auge sonoro do trabalho. E como se trata da penúltima faixa, não tem muito tempo pra qualidade decair.

Bandas novas e bem qualificadas devem ser valorizadas. Velhas influências, som de vanguarda, tudo isso é válido. Mas se você ao mesmo tempo copia seus contemporâneos e cai na mesmice, é como se toda sua memória musical não valesse nada. Agora se você utiliza ótimas influência e usa um pouco da massa cinzenta pra criar uma identidade musical, você chega lá. E o Kasabian chegou lá. Esse é a prova.


Set List


1 – Underdog

2 - Where Did All the Love Go?
3 - Swarfiga       
4 - Fast Fuse
5 - Take Aim
6 - Thick as Thieves
7 - West Ryder Silver Bullet
8 - Vlad the Impaler
9 - Ladies and Gentlemen, Roll the Dice
10 - Secret Alphabets
11 – Fire
12 - Happiness



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Will Damage Your Health - The Cigarettes

Fazia um tempo que eu pensava: "preciso voltar a postar no Rock Town, mas o que?". Ando meio aquém do mundo musical, das novidades que andam surgindo. O pouco que escuto por recomendação de amigos, não me agrada. Será que faleci musicalmente? Parece que ando ouvindo sempre as mesmas coisas. Será que cheguei naquele patamar de tiozão do rock que começa a ficar ranzinza e se fecha para tudo, se debruçando nas velhas bandas que conheço? Será? Não sei, sinceramente não sei.

Mas algo me pegou pelos ouvidos e me jogou no chão. Como se fosse numa catarse profana, me senti frenético, como se estivesse nos meus primeiros anos de rock. A inconsequência, a insanidade juvenil, aquele ar que circula nos pulmões ainda limpos de um moleque que descobre o rock, toda essa sensação de liberdade que impulsionou milhões de jovens desde os anos 50, ah! essa sensação parece ter voltado com tudo. E os responsáveis são o The Cigarettes, um power trio de punk, ou pós-punk, ou seja lá como você quiser classificar. Confesso que havia ouvido pouca coisa, nada de íntimo, lembro de ter sido uma curta audição na casa de algum amigo. Perguntei o nome da banda, fiz a célebre cara de "not bad" e sosseguei meu facho. E nessas tediosas passadas de mouse pelo Facebook, um link sugerido por um amigo mudou minha noite. Ouvi 'I've Forgot My Number (Now I'm Telling You My Name)' e quando senti o compasso acelerado da bateria acompanhado por um baixo cheio de sustância, pensei: "isso sim é som, porra!". Puxei nas minhas mais obscuras memórias algum registro do som, algo era familiar, e sim!, consegui lembrar. Mas era só aquela música! Comecei minha audição repetitiva, exaustiva e delirante. Eles são antigos, são ingleses de 1979 e que lançaram apenas dois álbuns, de forma bem discreta. O trabalho que lhes ofereço é 'Will Damage Your Health', um belo complemento para o nome da banda (fazendo alusão aos males que o cigarro faz a saúde). Eu poderia aqui tentar expressar a vitalidade do som com adjetivos dos mais complicados, mas me reservo a simplificar: parece uma bomba explosiva composta de genialidade do The Jam, a agressividade dos Buzzcocks e a sonoridade ludibriante do Gang of Four. A pergunta que ficou reverberando em minha mente (e que com certeza passeará pela sua também) é: como diabos essa banda não é conhecida? Como as pessoas não têm informações mais detalhadas? Como esse som não toca nas casas que frequentamos? Se você ouve 'Can't Sleep at Night' e percebe a complexidade do som, com interposições de vozes, variações de intensidade (voando com um punk cheio de melodia e pousando numa pista de acordes típicos do ska) e todo o conjunto da composição, com certeza fica boquiaberto com o fato de nunca ter ouvido isso antes. Pulando várias músicas desse álbum e chegando em 'Surrender', você vai ouvir canção fácil, refrão grudento, toque de guitarra freestyle, sem frescura e vocal tipicamente inglês. 'Screaming Dreaming' é sofisticada, soturna, e como sempre amparada por acordes pesados de baixo. Ainda conta com um final de pausa no vocal e um instrumental diversificado, bem executado - enfim - magnético (ou melhor, hipnotizante). Um deleite para quem busca sempre apreciar um bom rock, como feito antigamente.

Vai por mim, é som poderoso, que vai te jogar lá para os primórdios de suas descobertas. Prepare-se para se renovar com algo velho que soa extremamente novo. Se não fossem caras como eles, o que é ruim hoje seria ainda pior. Pode ter certeza.



Post dedicado ao Evandro Vacco

Set List



1 - They're Back Again, Here They Come                            
2 - I've Forgot My Number (Now I'm Telling You My Name)                      
3 - All We Want Is Your Money                
4 - Can't Sleep at Night                
5 - It's The Only Way to Live (Die)                           
6 - Stay Inside                  
7 - Looking at You                          
8 - Frivolous Diguises                    
9 - Run                
10 - After All                     
11 - Don't                           
12 - Screaming Dreaming                           
13 - Valium World                          
14 - You Were So Young                             
15 - Damage Your Heath                             
16 - Miranda                     
17 - Media Mania                           
18 - Surrender                 
19 - Can't Sleep at Night                             
20 - Frivolous Disguises               
21 - It's the Only Way to Live (Die)                         
22 - Valium World

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Sha Sha - Ben Kweller

Muitos de nós crescemos ouvindo boa música em nossos lares. Geralmente é um pai doidão com seus discos dos Beatles ou Doors (no meu caso, meu pai não era doidão mas me apresentou o Queen) ou aquele tio drogado gente boa que vive falando das viagens de drogas pelas quais passou lá pelos anos 60. Claro que muitos outros cresceram com influências de pais que são realmente músicos e entendem perfeitamente do que estão passando aos filhos. E foi assim que Ben Kweller - nascido em São Francisco, no ano de 1981 - passou sua infância. Seu pai, Howard Keller o ensinou a tocar bateria e guitarra e quando o pequeno Ben tinha seus oito anos, já fazia duetos com o pai, que tocava a guitarra e cantava, com o acompanhamento de seu filho na bateria. Isso sempre acontecia antes de Howard ir para o trabalho. Aos nove anos, Ben Kweller já contava com várias composições próprias, vencendo um concurso de compositores da Billboard. Ele também teve a honra de ser vizinho do excelente Nils Lofgren, que além de uma brilhante carreira solo, faz parte da E Street Band, banda que acompanha Bruce Springsteen. Esse fato ajudou muito Kweller a definir suas bases musicais e foi essencial em sua jornada, seja como integrante de banda ou em sua carreira solo. E falando em banda, Kweller apareceu para o mundo com Radish. O hit 'Little Pink Stars' (veja o vídeo aqui) fez a banda excursionar pelos EUA e Europa. Graças a fusão da Polygram com a Universal, um de seus álbuns não pôde ser lançado, o que os fez assinar contrato com a Mercury. Em 1999, Kweller resolveu iniciar sua carreira solo em Nova York. E foi aí que sua carreira alavancou, exibindo sua genialidade e vocação para gloriosas composições. Com seu primeiro álbum, lançado em 2000, com apenas dezenove anos, Kweller já era comparado a nomes como Elliot Smith e Beck, e realmente ele estava nesse nível.

Dois anos depois, em 2002, Kweller lançou sua obra-prima: 'Sha Sha'. Ele tinha a explosão de um grunge bagunçado e a classe de um 'piano man', sempre transportando lindas notas do instrumento junto a composições magníficas. 'Wasted & Ready' é a segunda faixa, e já encara o ouvinte entregando uma canção repleta de notas viscerais de guitarra e alternância de instensidade. Versos cantados como balada, refrão rasgado dentro da estética do bom e velho rock. Posso falar com toda segurança que 90% dos ouvintes vão elegê-la como a melhor do álbum. Em seguida, 'Family Tree' é deliciosa em sua levada country, começando com uma série de 'bop bops' e sustentando arranjos serenos. Não posso deixar de citar que a voz de Kweller pode agir como um bom tranquilizante em algumas ocasiões. 'Commerce, TX' retoma a intensidade das guitarras e entre 'uuuhhhuuuus', desenvolve uma harmonia fácil e sem frescuras. Com uma introdução intimista (atmosfera que permeia toda a faixa), 'In Other Words' é o toque de requinte que todo bom álbum precisa. Nessa canção, com voz mais amena, Kweller presenteia o ouvinte com a melhor síntese de sua veia compositora. Tudo se desenrola naturalmente, quando uma pausa quebra o ritmo e num crescente de notas de piano e consequente invasão de batidas bem distribuidas, a canção recupera seu vigor e oferece um instrumental de qualidade. Deslumbrante.

Quando o Radish apareceu na mídia, todos procuravam por um novo Silverchair, mas poucos desconfiavam que daquela banda, sairia um garoto-prodígio cheio de coisa boa pra oferecer. Ele era apenas um garoto de vinte e um anos quando compôs e executou esse álbum. E continuou com a qualidade de suas composições, mantendo uma discografia invejável. Enfim, esse é Ben Kweller, pessoal. É um prazer conhecê-lo.

Set List

1 - How It Should Be (Sha Sha)
2 - Wasted and Ready
3 - Family Tree
4 - Commerce, TX
5 - In Other Words
6 - Walk on Me
7 - Make It Up
8 - No Reason
9 – Lizzy
10 - Harriet's Got a Song
11 - Falling

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RockTown! Covers: Vol. 1 - Diversos

Após postar o álbum do CAKE na semana passada, e dando ênfase ao comentário sobre o cover que a banda fez do hino gay da música 'I Will Survive' (da Gloria Gaynor), pensei em fazer compilações com alguns dos melhores covers já feitos na música. Não pensem que omiti ou esqueci alguns desses covers. Coloquei quinze faixas nesse primeiro volume, com um pouco mais de uma hora de música, na intenção de caber em um CD (caso o leitor queira gravar a coletânea). Enfim, como sempre, estou aberto à sugestões para o volume dois. Será muito bom trabalhar junto com os leitores nas próximas compilações, pois embora eu escolha os álbuns e escreva as resenhas, aprendi muita coisa com as sugestões e dicas de vocês. Já aproveito pra agradecer pelas visitas, downloads e comentários no último post!

With A Little Help From My Friends (Joe Cocker)
Comecei a compilação com o cover feito por Joe Cocker da segunda faixa do emblemático álbum dos Beatles 'Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band'. A verdade é que eu muita gente nem imaginava que essa música de Joe Cocker na verdade é uma versão maravilhosamente reformulada de "With a Little Help from my Friends" do quarteto britânico. Essa descoberta é semelhante ao momento em que você descobriu que a vovó Mafalda era um homem. Simplesmente chocante. Você deve lembrar dessa canção na abertura do seriado 'Anos Incríveis' que passava na TV Cultura, lembra? (veja o vídeo).

(I Can't Get No) Satisfaction (DEVO)
A segunda escolha também é uma concepção extremamente diferente e ao mesmo tempo fiel da versão original da célebre '(I Can't Get No) Satisfaction' dos Rolling Stones. Se os Stones contavam com o riff mágico de Keith Richards (e até então parecia intocável pela perfeição harmônica de um verdadeiro hit explosivo), o DEVO quebrou o tempo das batidas, acrescentou pitadas de bom humor e fez um cover muito interessante.

Everybody Wants To Rule The World (Patti Smith)
Esse hit do Tears for Fears pode ser considerado uma das maravilhas do pop do século passado. E quem poderia aguentar a responsabilidade de prestigiar a dupla inglesa com uma nova estética para uma música tão consagrada? Patti Smith é esse alguém. Ela foi um dos ícones da geração punk dos anos 70, sossegou o facho nas décadas posteriores, mas sua voz adquiriu uma classe incomparável e preservou o timbre irreverente de sua juventude. É relaxante ouvir 'Everybody Wants to Rule the World' dentro da visão dela. Os arranjos, mais acústicos e adocicados trazem uma grata surpresa. Você pode baixar o álbum de cover de Patti Smith aqui no RockTown! Downloads (clique aqui).

Hurt (Johnny Cash)
Johnny Cash
é um monstro sagrado do rock, do country, do folk... da música. Estamos acosutmados a ouvir covers de diversos artistas em cima de canções dele. Mas existe um homem, dotado de grande genialidade, porta-voz quase exclusivo do rock industrial. Sim, estamos falando do homem-banda Trent Reznor, do Nine Inch Nails. Ele compôs, dentro da atmosfera sombria do mesmo rock industrial, a bela canção 'Hurt'. Em 2002, Reznor soube da intenção de Cash em regravar sua canção. Ficou extremamente lisonjeado, mas o próprio Reznor diz que ao ouvir o cover, sentiu como se tivessem beijado a namorada dele, sentiu-se invadido. Como se aquela música nunca tivesse sido dele. E Johnny Cash realmente roubou aquela obra. A voz envelhecida porém imponente do ícone do rock preencheu cada espaço. A tristeza que tomou os fãs de Cash pode ser bem explicada: ele usou a canção como se fosse seu último testamento. Johnny Cash faleceu no ano seguinte. O clipe é realmente comovente e pode ser conferido aqui. Se você entende a importância e as lutas de Cash, provavelmente já chorou vendo esse vídeo. Enfim, é dramaticamente magnífico.

War Pigs (The Flaming Lips)
Falar do Flaming Lips é falar em loucuras, psicodelia desenfreada, muito humor e bizarrices. Embora todas essas alcunhas pertençam a eles, você vai perceber uma autoridade raramente vista na reprodução de uma versão alternativa de um som de sucesso. A primeira vez que ouvi essa versão cover de 'War Pigs', foi no Claro que é Rock de 2005, quando a banda pegou todos de surpresa com toda a energia da canção do Black Sabbath. Eu fiquei atônito enquantoa maioria urrava de empolgação. Foi sensacional. E após muitas audições durantes os anos seguintes, constatei que se o Black Sabbath tivesse nascido nos anos 2000, soaria exatamente como a versão do Flaming Lips sugere. Toques eletro-psicodélicos, guitarras ainda mais potentes e aquele ódio no cantar. Essa versão é imperdível!

Superstar (Sonic Youth)
Todo mundo falava do filme Juno. Sim, eu assisti e gostei muito. Mas o que me chamou a atenção em toda a trama foi quando o personagem Mark (interpretado por Jason Bateman) que era um produtor de jingles e uma espécie de ex-grunge rico, ao conversar sobre música com a adorável Juno (interpretada por Ellen Page) apresenta um cover até então desconhecido por mim do Sonic Youth, da música 'Superstar' daquela banda brega antiga Carpenters. Um sorriso escapou da minha boca e viajei no pequeno trecho que foi exibido no filme. A voz de Thurston Moore se derrama em cada palavra, quase um sussurro preguiçoso. É delicioso ouvir toda a distorção típica da banda nova-iorquina abalando o refrão desse clássico do pop mundial. Surpreendente.

Wish You Were Here (Radiohead)
O Pink Floyd é uma das bandas mais intrigantes da história. Teve seu momento de psicodelia com Syd Barret, passou por uma transição para o progressivo, e em todos os momentos, até 1973, foi atrelado ao space-rock, com toda razão. Em 1975 a banda lançou o incrível álbum 'Wish You Were Here' que contém a música que dá título ao disco. É uma verdadeira balada romântica, que foge completamente de tudo o que os fãs já ouviram. É delicada, e a voz de David Gilmour é oportuna em expressar toda a emoção que a distância propicia. Ponto. De repente nos deparamos com uma versão levemente parecida com a original, mas cantada com timbre arrastado, manhoso e displicente. Sim, é Thom Yorke e o Radiohead dando seu toque ao clássico floydiano. Os arranjos são lentos e quase te fazem meditar. É uma estranha ótima concepção de uma das bandas mais geniais da atualidade.

Getting Better (Smash Mouth)
Sim, é mais um cover dos Beatles. Me chamem de tiete beatlemaníaco, mas os fab-four têm tantos clássicos impressos em nossas mentes, que covers bem feitos desses clássicos merecem destaque, talvez porque tenhamos ouvido tanto o quarteto de Liverpool, que qualquer coisa diferente nos impressione. Mas o Smash Mouth realmente se superou. Todo mundo já ouviu o cover deles do 'I'm a Believer' dos Monkees, no filme Shrek. E por estar manjado demais, preferi relacionar essa versão de 'Getting Better' (também do Sgt. Peppers). Ela é tão cheia de energia quanto à original, mas a voz rouca de Steve Harvell traz uma ótima impressão para essa calorosa canção. Alguns efeitos introduzidos nos arranjos também chamam a atenção. Simplesmente divertida.

Mandy (Drop Nineteens)
'Mandy'
. Muita gente (provavelmente você se inclui) já ouviu essa canção e nem imagina quem canta.  Um cara que é identico parece a Glória Menezes e é um ícone da breguice da música americana, trocou o nome dessa música de Brandy para Mandy e a transformou num hit mundial. O nome dele é Barry Manilow e em 1974 estourou nas paradas de sucesso com essa canção. Até hoje você pode ouví-la nas programações das rádios de flashbacks e cá entre nós, a música tem um apelo pop sensacional. E se você surrupiar toda a característica acessível de uma música pop e aplicar aquelas distorções rasgadas do shoegaze, vai encontrar algo extremamente curioso. A forma como a canção é cantada, com todas as paredes de guitarra dão a impressão de andar num túnel escuro, avistando apenas uma luz fraca no fim. A anti-estética dessa versão realmente é a grande atração da faixa. Um sucesso.

I'm Only Sleeping (The Vines)
Em 1966, no disco Revolver, os Beatles experimentaram algo impensável pra época: colocar acordes de guitarra para serem executados ao contrário. Sim, foi na sonolenta (num bom sentido) canção 'I'm Only Sleeping' que esse efeito foi bem introduzido. A letra é uma ode à preguiça, ao sono e à displicência com a vida, com a voz intencionalmente desleixada de John Lennon. E embora os Vines não tenham preservado esse 'cansaço' no cantar, a versão é límpida e sincera. Uma ótima ótica desse clássico.

Heroes (TV on the Radio)
'Heroes'
de David Bowie é a canção certa para ser reproduzida peloas americanos do Tv on the Radio. Podemos captar a influência de Bowie na banda americana, e nada melhor que uma homenagem envolta em elementos eletrônicos, batidas rápidas e a manutenção da atmosfera original da canção. David Bowie poderia ter feito essa música exatamente dessa forma. E isso é o que mais encanta nessa versão: a forma como eles se equipararam ao original, e ainda assim, soando inovadores.

Rocket Man (Me First and the Gimme Gimmes)
Esse hit espacial do inglês Elton John, ícone do pop/rock nos anos 60 e 70, é reflexivo, é brilhante, seja com a letra que expoe o drama de um astronauta (o rocket man) relatando suas impressões do espaço, sua saudade da Terra, enfim, tudo o que engloba a saída do planeta natal e a exploração do infinito, seja com a harmonia perfeita do piano que é explendido quando tocado por Elton John. O Me First and the Gimme Gimmes é uma banda lotada de sátiras musicais, lançando álbuns de covers incríveis. Músicas que você jamais imaginaria na roupagem do rock, são perfeitamente convertidas por essa banda. E eles fizeram um ótimo trabalho arremessando 'Rocket Man' para o punk rock e rompendo qualquer barreira que impedia esse feito.

Valerie (Amy Winehouse)
Talvez você pense que 'Valerie' é uma música originalmente da Amy Winehouse. Se você pensa isso, está errado. Os Zutons lançaram essa canção no álbum 'Tired of Hangin' Around' (disponível no RockTown! Downloads aqui). A versão que conta com arranjos mais contagiantes na versão original, foi genialmente transportada para o clima soturno do blues, sempre lembrando que as pitadas de R&B dão o ritmo ideal para fazer as canções de Winehouse serem o que são: incomparáveis. E a cantora polêmica faz de 'Valerie' uma agradável homenagem a uma banda tão nova e tão promissora.

Sitting on the Dock of the Bay (Pearl Jam)
Foi há dois dias atrás que me atentei para Sitting on the Dock of the Bay, através de uma recomendação de um amigo, num jantar que contava com cervejas e muitas risadas. Eu conhecia a versão de Otis Redding, mas não sabia que o Pearl Jam havia feito uma versão tão consistente e contagiante. As batidas típicas do soul e a voz magnífica de Redding foram perfeitamente substituídas peloss acordes de guitarra estonteantes, um baixo pegajoso, a voz peculiar de Eddie Vedder e batidas mais explosivas que o rock oferece. Foi uma descoberta (pra mim) das melhores, confesso. Só não tem os assovios de Redding no final, mas tá valendo.

It's Not Unusual (The Wedding Present)
Você deve lembrar do seriado "Um Maluco no Pedaço", onde Will Smith era o protagonista (passa até hoje no SBT). Se lembra, com certeza lembra do primo playboy dele, o Carlton Banks. E se lembra do Carlton, com certeza lembrará da dança dele. É hilário. E ele sempre desempenhava sua dança bizarra ao som de seu ídolo, Tom Jones, mais específicamente com a música 'Is Not Unusual' (veja essa dança aqui). E se você prestar atenção nessa canção, poderá notar que há uma pompa instrumental, o esforço vocal de Tom Jones ao cantar que "não é incomum ser amado por alguém". Todos os metais soprando e a batida contagiante fazem dessa canção algo curiosamente inesquecível. E de repente o Wedding Present resolve fazer o cover. O que poderia acontecer? Arranjos rápidos com batidas tribais, voz abafada e cuspida e toda a aparência do velho punk convertem aquela música ao estilo Las Vegas em algo extremamente Nova York, bem no meio de 1977.

Como disse no começo, muitos covers podem parecer esquecidos (eu mesmo disse várias vezes que poderia ter colocado um outro cover aqui e acolá), mas na verdade, foram guardados para o segundo volume. Afinal, tem muito cover bom e que vale a pena ser apresentado aos leitores. Espero sugestões!

Post dedicado ao Edu.

Set List

1- With A Little Help From My Friends (Joe Cocker)
2- (I Can't Get No) Satisfaction (DEVO)
3- Everybody Wants To Rule The World (Patti Smith)
4- Hurt (Johnny Cash)
5- War Pigs (The Flaming Lips)
6- Superstar (Sonic Youth)
7- Wish You Were Here (Radiohead)
8- Getting Better (Smash Mouth)
9- Mandy (Drop Nineteens)
10- I'm Only Sleeping (The Vines)
11- Heroes (TV on the Radio)
12- Rocket Man (Me First and the Gimme Gimmes)
13- Valerie (Amy Winehouse)
14- Sitting on the Dock of the Bay (Pearl Jam)
15- It's Not Unusual (The Wedding Present)

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Fashion Nugget - CAKE

Aqui no Brasil, você deve ter ouvido algum som dessa banda em meados de 1999, quando as rádios e a MTV tocavam exaustivamente o hit 'Never There'. Verdade seja dita, essa música realmente é um grude na mente, evidenciando a vocação pop do CAKE. Essa banda formada em 1992 na cidade do Sacramento - que fica na ensolarada e meio-mexicana Califórnia - é uma mistura agradável do que há de mais fino em ritmo. Você pode sentir influências escancaradas do hip-hop negro das ruas, o bom e velho funk oriundo de James Brown e aquela turma da Motown e até o swing jazz que explodia nos salões dos EUA nos anos 30. E para incrementar a deliciosa receita, acrescente pitadas daquele country sulista entupido de sotaque carregado e boas levadas de banjos e violões. Não é perda de tempo aguardar por um bom trecho de trompete, aparecendo aqui e acolá, dando ao som da banda um envolvente toque latino. E se a bagunça já não bastasse, você ainda vai achar estranho que mesmo contando com uma mistureba atípica como essa, o CAKE pode ser considerado um grupo de rock, apresentando atmosfera bem densa de guitarras distorcidas, baixo estritamente cativante sempre bem acompanhado por batidas de uma bateria precisa.

Quando o assunto é melhor álbum da banda, o Fashion Nugget é quase unanimidade entre os críticos. Lançado em 1996, ele apresenta uma síntese da essência do CAKE. 'Frank Sinatra', a faixa que abre a obra é uma bela composição do vocalista John McCrea, ostentando uma estética sombria, lembrando um pouco Tom Waits, com as passagens charmosas e maliciosas de trompete de Vince DiFiori. McCrea tem ótimas sacadas ao compor \a maioria das letras da banda. Sempre utilizando de humor ou sarcasmo, é divertido atentar para alguns trechos malucos, como nessa canção:

While Frank Sinatra sings "Stormy Weather" (enquanto Frank Sinatra canta "Stormy Weather")
the flies and spiders get along together, (as moscas e aranhas dão as mãos)
cobwebs fall on an old skipping record (teias de aranha caem sobre um risco no vinil)


'The Distance' é a mais celebrada das faixas do álbum. Já ouvi e li muitos comentários de guitarristas que diziam ter perdido o tesão pela guitarra depois de ouvir a linha de baixo dessa música. E realmente é impressionanete. Os acordes de baixo pegam todos os elementos musicais e os tomam como reféns. Não tem papo, o fundo que o instrumento propicia à música é realmente de deixar qualquer um de boca aberta. Mas não não se preocupe, tudo funciona na melodia. O trompete, o coro de vozes no refrão, a agonia moderada na voz de McCrea... Se você fechar os olhos e se entregar à toda miscelânia, vai se flagrar mexendo a cabeça com um leve sorriso no rosto. E o álbum vai segurando bem a pegada até o momento em que o ouvinte é pego de surpresa por um cover, que eu considero o melhor já feito no rock. Sabe aquele hino gay cantado pela Gloria Gaynor? Sim, estou falando do 'I Will Survive'. E se você acha a versão original muito 'alegre' e tolerável apenas em festas de casamento - quando todos estão bêbados e soltam a franga -, você vai derreter ao ouvir os primeiros acordes de guitarra anunciando uma versão cheia de classe, com toque requintado de blues e claro, com dedilhadas aguçadas do baixo de Victor Damiani. De repente o CAKE conseguiu colocar toda sua personalidade numa música já consagrada pelo sucesso. Os heterossexuais podem até cantar os versos dessa canção - que é um grito de superação após o fim de um relacionamento - sem se ver enrolado numa bandeira colorida, desabafando para o mundo que irá sobreviver. 'Perhaps, Perhaps, Perhaps' é uma versão deliciosa de 'Quizá, Quizá, Quizá' de Osvaldo Farrés (não me perguntem quem é esse cara!).

Escrever sobre o Fashion Nugget é passar pela tentação de comentar todas as músicas, pois realmente o álbum tem uma nível altíssimo. É o tipo de disco que você ouve por meses a fio e do nada, para. Meses depois você pensa: "vou ouvir esse som" e toda a musicalidade da banda vai ao encontro de seu estado de espírito, fazendo você ouvi-lo por mais uns meses. Aqui você encontra a definição musical que McCrea um dia deu para a banda: "Não fazemos parte de nenhum movimento. Somos outsiders".

Set List

1 - Frank Sinatra
2 - The Distance
3 - Friend Is a Four Letter Word
4 - Open Book
5 - Daria
6 - Race Car Ya-Yas
7 - I Will Survive
8 - Stickshifts and Safetybelts
9 - Perhaps, Perhaps, Perhaps
10 - It's Coming Down
11 - Nugget
12 - She'll Come Back to Me
13 - Italian Leather Sofa
14 - Sad Songs and Waltzes

Post dedicado a Mari Nazima, Wagner 'Doido' Uchida e todos que pediram pela volta do blog.


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Aos Meus Leitores

Não vou culpar a minha rotina, até porque tenho sido agraciado com um bom tempo disponível para mexer na internet, ouvir novos sons e tudo mais. Meu trabalho está tranquilo, o namoro vai bem, obrigado.

"Então por que diabos o Pipoko não posta mais nada aqui no RockTown?"

Na verdade - e quem escreve sabe muito bem - um escritor (mesmo sendo um de meia-pataca como eu) vive de fases. E hoje em dia estou extremamente focado em escrever no meu outro blog (www.vivanegativo.blogspot.com). É um blog de contos, vale a pena até conferir, mas voltemos ao foco desse parágrafo. Não prometo o ritmo de 2007 ou 2008, mas prometo tentar largar por alguns dias os personagens fictícios de minha prosa e me dedicar um pouco mais aos personagens reais de nossa história musical.

Fico extremamente lisonjeado com muitos comentários que verifico na caixa de emails. É muito gratificante saber que um trabalho de quase quatro anos, continua sendo reconhecido diariamente. Por isso, continuem com seus emails e comentários. Sempre será um prazer atendê-los de uma forma ou outra. É muito bom ter tantos leitores de bom-gosto e extrema simpatia. Gente que é atraída pelos downloads e acaba ficando pelas resenhas. Sou eternamente grato por suas visitas, comentários e claro, pelas novas amizades que tenho experimentado.

Vocês são sensacionais!

p.s.: pode ser atrasado, mas é de coração: FELIZ ANO NOVO!

The Best Of - T-Bone Walker

Aaron Thibeaux Walker é pouco conhecido no meio musical. Até porque a mídia prefere enaltecer nomes de músicos já consagrados na memória da massa, como B.B King ou Muddy Waters. Deus me livre de subtrair uma grama do mérito desses dois gênios citados. Mas cá entre nós: tem muita gente não reconhecida e de forma sempre injusta.

Por causa de seu sobrenome francês Thibeaux (lê-se 'Tibô'), ele acabou adotando uma versão, digamos americanizada, de seu nome e assinava como T-Bone. Músicos na época tinham apelidos bem marcantes, como 'Blind Lemon' Jefferson ou Memphis Slim no blues e Charlie 'Birdie' Parker no jazz. Ele não fugiu à regra.

T-Bone Walker foi o primeiro músico do blues a adotar a guitarra elétrica. E antes que Jimi Hendrix o fizesse, ele já tocava suas cordas com os dentes. Um bagunçado que se transformou na principal influência de Chucky Berry. Não é pouca coisa. E por mais que as listas de revistas sejam polêmicas, a Rolling Stone o considerou o quadragésimo sétimo melhor guitarrista de todos os tempos.

Esse álbum é uma compilação de seus melhores trabalhos. Fique de olho em 'Evil Hearted Woman' e também na sua mais conhecida 'Call It Stormy Monday'. Ele não foi um sucesso de público, mesmo tendo fãs por todas as partes. Mas nunca alcançou as proporções de seus colegas mais famosos. Se tornou um ícone desse estilo musical maravilhoso que cantava as dores de um povo, seja abertamente ou de forma disfarçada, camuflando o seu ressentimento com o patrão através de uma mágoa com uma mulher. Em muitos blues, quando uma mulher é citada como opressora, desgraçada ou algo parecido, na verdade os escravos se referiam aos seus donos, aos capatazes sanguinários, enfim a todos os opressores que merecessem uma canção de revolta e protesto. A saída para o sofrimento era cantar. E embora já não vivesse os tempos de escravidão, sofreu na pele muito do preconceito comum que a sociedade americana impunha aos negros no século vinte.

T-Bone Walker veio a falecer em 1975, aos 64 anos. Sofria de pneumonia e foi surpreendido por um derrame. Para nossa atual realidade, morreu jovem. Mas o legado que deixou, principalmente para o rock, é inestimável. É bem difícil expressar em letras a qualidade do som requintado e elegante desse texano talentoso. Enfim, é baixar o álbum e verificar o que anos de convivência com uma família de músicos e amigos geniais resultou.

Set List

1- Blues is a Woman
2- I Got The Blues
3- Through with Women
4- Cold Cold Feeling
5- Life is too Short
6- The Hustle Is On
7- Travelin' Blues
8- Evil Hearted Woman
9- Baby Broke My Heart
10- Glamour Girl
11- You Don't Love Me
12- Call It Stormy Monday
13- T-Bone Shuffle
14- Vacation Blues
15- Midnight Blues
16- Bobby Sox Blues
17- Mean Old World
18- T-Bone Blues


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Especial RockTown! no Twitter

Pra quem não tem Twitter ou não tem saco de mexer naquele site, aqui vai um resumo do que foi postado nesse tempinho de presença do nosso blog no Twitter:
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Curses! - Future of the Left: Que tal colocar o som do Future of the Left? Com o ex-baterista e ex-guitarrista/vocalista do McLusky, eles mantém aquela pedrada sonora. O álbum é o Curses! de 2007. Destaque para 'My Gymnastic Past' e sua guitarra marcante e 'Manchasm'.

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Sometimes I Wish We Were an Eagle - Bill Callahan: Bill Callahan (ex-smog) destila seu lo-fi esmagador com sua voz rasgada e poderosa, que empresta a classe ideal aos arranjos gloriosos desse novo álbum solo. Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle é forte candidato a melhor álbum do ano. Recebeu 5 estrelas das revistas Mojo, Uncut e Rolling Stone, está ultima o classificando como 'clássico instantêneo'. Faixas especiais: 'Jim Cain', 'The Wind and the Dove' e 'Too Many Birds'. Recomendadíssimo.

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And the Glass Handed Kites - Mew: Essa banda dinamarquesa conta com influências das mais finas possíveis: Dinosaur Jr., Pixies e My Bloody Valentine. O álbum And the Glass Handed Kites lançado em 2005 foi muito bem recebido pela crítica. Eles proporcionam uma viagem pelo space rock, sem perder o peso do indie dos anos 90. Mas não é inacessível: você sente pitadas de pop pra lá e pra cá. Confira 'Circuitry Of The Wolf', 'Apocalypso' e a emocionante 'The Zookeeper's Boy'.


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Racional Volume 1 - Tim Maia: Lançado em 1975, numa época em que Tim Maia pertencia a uma seita estranha demais, Racional Volume 1 é sem dúvida um dos vinis mais procurados (e caros) por colecionadores (inclusive eu!). Embora esteja lotada de pregação e apologia à seita Mundo Racional, o funk contido nessas faixas é de extrema qualidade. Tim Maia não se intimidou e enviou cópias do LP para gente como James Brown, Curtis Mayfield e John Lennon. Esse último, ao receber, enviou uma foto completamente nu com uma mensagem: "Dear freak, I don't understand portuguese. What abou LISTEN to this photo?". Tim profetizou a morte do ex-Beatle para 1984. Lennon morreu em 1980, mas valeu a tentativa!


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The King - Teenage Fanclub: Geralmente quando você ouve falar sobre o Teenage Fanclub, logo vem à cabeça aquele disco com um saco de dinheiro, o Bandwagonesque. O Bandwagonesque tem os sons mais conhecido, é claro. Mas você sabia que a banda lançou um álbum onde fazia covers de Madonna e Pink Floyd? O 'The King' foi lançado em 1991 e foi gravado no tempo que sobrou nos estúdios, após a gravação do Bandwagonesque. Fique atento às faixas 'Interstellar Overdrive', cover do Pink Floyd psicodélico de Syd Barrett. 'Like a Virgin' é um sucesso oportuno. E o 'Robot Love' de autoria da banda, te remete ao Sonic Youth, lembrando muito também da notas arranhadas de J Mascis do Dinosaur Jr.


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Free Your Mind and Win a Pony - Golden Animals: Você já ouviu falar no Golden Animals? Blues, psicodelia, folk. Ah sim! Rock! A voz do vocalista Tommy Eisner é muito parecida com a do Jim Morrison dos Doors, mas ninguém percebe uma pretensão de Eisner em imitá-lo. Linda Beecroft cuida da percussão e ajuda no vocal. Sim, o Golden Animals é uma dupla. Mas a atmosfera do som deles é bem intensa, maciça. O álbum Free Your Mind and Win a Pony foi lançado em 2008 e é uma grata surpresa para quem esperava tantos elementos juntos e bem misturados. Recomendo 'The Steady Roller', 'Queen Mary (The Flop)' e 'My My My'. Vai por mim, é som de primeira!


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RockTown! Downloads no Twitter















O Twitter me pareceu a saída mais rápida para a falta de tempo. De forma breve e objetiva, colocarei links de downloads escolhidos a dedo.

É um espaço legal pra gente interagir sobre música, não acham?

Então corram lá pro Twitter e sigam o RockTown! Downloads!

Pacific Ocean Blue - Dennis Wilson

Mas quem diabos é Dennis Wilson?, você deve estar a se perguntar. Se você pensar um pouco, cavar em seus registros de memória (dos mais distantes aos mais recentes) vai lembrar de um certo gênio musical chamado Brian Wilson, dos Beach Boys. Do mesmo sangue onde corria a sensibilidade pop de Brian, nasceu Dennis o baterista dos Beach Boys. Dennis era considerado o menos talentoso dos três irmãos (Brian, Dennis e Carl) até porque não se envolvia tanto no processo criativo dos álbuns da banda - embora Brian tenha tomado para si essa função criativa em meio a sua loucura movida pela ambição de superar os Beatles. E numa banda que evocava a praia e o surfe como seus principais trunfos musicais, Dennis era o único surfista de verdade. Rebelde, sempre em conflito com seu pai, o beach boy veio a falecer no ano de 1983, afogado enquanto mergulhava em volta de seu barco em Marina del Rey, na Califórnia.

Em meio ao vendaval de mudanças pelo qual os Beach Boys passavam nos anos 60, Dennis resolveu compor algumas canções. Algumas com e 'Little Bird' e 'Be Still' entraram para o álbum Friends, passando pelo mesmo que George Harrison passou nos Beatles, quando ele revelou sua perícia na composição de músicas incríveis. Nos anos 70 as músicas de Dennis sempre marcavam presença nos álbuns o que o levou a gravar no início da mesma década um single chamado 'Dragon'. E foi em 1975 que Dennis iniciou a criação de Pacific Ocean Blue. O seu único trabalho solo foi aclamado pela crítica e muito comemorado por seu irmão Brian. E pra ser sincero, cada palavra positiva seja em comemorações, seja em aclamações foram merecidas. Se Brian era o gênio do pop, disputando de igual pra igual com Lennon e Mccartney, seu irmão captou as lições e sem nenhum traço de loucura, fez um dos melhores álbuns do pop dos anos 70. A audição dele é surpreendente para um navegante de primeira viagem, até porque a qualidade da produção e a sofisticação dos arranjos fazem o ouvinte deduzir que se trata de um trabalho atual. Os recursos de sintetizadores, o balanço das canções que se valiam do suingue do soul, funk e do R&B, a elegância das notas de piano que adornam diversas das canções e as letras intimistas e universais, enfim, tudo nessas doze faixas atraem até o mais rude dos seres.

'River Song' é delicada porém majestosa. Apresenta uma linha de baixo tímida mas suficiente para não deixar a harmonia rastejar em sujeira. A onda de vocais num estilo gospel, sejam corais, sejam backing vocals, apenas elevam a imponência da canção enquanto Dennis repete infidavelmente a frase 'Rollin' rollin' rollin' on river'. O trabalho de inserções vocais é poderoso e com certeza poderia figurar entre as canções do Pet Sounds, ou do Today!. Acredite, não é exagero algum o que estou escrevendo. 'What's Wrong' empresta um pouco do balanço do rock dos anos 50, salpicada de ardentes notas de piano. 'Moonshine' é uma obra adiantada, à frente de seu tempo. O que as bandas começariam a fazer na metade dos anos 80, Dennis já experimentava nessa faixa. A regularidade de sua voz, sempre tristonha, sempre sóbria é um encanto à mais. 'Dreamer' é a materialização da liberdade de criação do ex-baterista dos Beach Boys. Uma forte influência de funk, com trompete para temperar a versatilidade do músico. 'Thoughts of You' é triste, dolorosa e conformada. É a saudade que bate no homem e que o faz abaixar a cabeça e aceitar as coisas como são. É encarar o fato de que até o amor morre um dia:

All things that live, one day must die, you know
Even love and the things we hold close
Look at love, look at love, look at love
Look what we've done
A voz de Dennis é sonolenta, como se estivesse balbuciando palavras ao telefone, ainda deitado em sua cama, num quarto perto do mar. O piano acompanha o desenrolar da canção com beleza indescritível. Os arranjos tomam proporções caóticas e tensas quando ele canta a estrofe acima descrita. É arrepiante. 'Time' é soturna, uma espécie de adaptação, do "filho pródigo" para "marido pródigo". E quando a calma é aterradora, o funk de novo quebra o pau e instala uma atmosfera dançante, exibindo claramente o porquê do sobrenome Wilson.

Eu costumo fazer uma descrição rápida do Pacific Ocean Blue para quem não o conhece: é uma espécie de Beach Boys mais sofisticado. Seria como a banda liderada por Brian soaria hoje em dia. A morte de Dennis foi uma perda inestimável para a música. Mas seu legado para a humanidade é tão grande quanto a falta que ele faz. A única coisa que não é nova nesse álbum é o fato de que a música sempre vence a morte.

Set List

1- River Song
2- What's Wrong
3- Moonshine
4- Friday Night
5- Dreamer
6- Thoughts of You
7- Time
8- You and I
9- Pacific Ocean Blues
10- Farewell My Friend
11- Rainbows
12- End of the Show


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Abbey Road - Beatles

Eu realmente não sei o que é mais difícil: voltar ao blog depois de tanto tempo ou escrever sobre os Beatles. Mas era preciso retornar com algo de peso. Nada mais pesado, nada mais relevante que a cultuada banda de Liverpool. Ainda se considerarmos que o único álbum dos Beatles presente no Rock Town! Downloads é um álbum 'não-oficial', lançado recentemente e com músicas alteradas.

A situação em 1969 - quando o álbum Abbey Road foi lançado - não era das melhores. John Lennon já havia conhecido a Yoko, o Ringo Starr já havia passado por diversas crises de complexo de inferioridade, George Harrison queria mais espaço para suas composições e Paul Mccartney aumentava cada vez mais sua influência com a ausência cada vez mais frequente de John. Os conflitos de cunho artístico e até ideológico permeavam a atmosfera dos fab-four e a banda caminhava para o fim. Mas pelo menos no caso dos Beatles, não havia como constatar algo, não havia como adivinhar o fim da história.

Os Beatles começaram em 1962, tocando em Liverpool. Um misto de composições próprias e covers dos rocks da época. Em questão de quatro anos eram a banda mais influente da história do rock. Em menos de dez anos eles mudaram de som, de visão sobre o mundo e até de visual por diversas vezes. Dos iê-iê-iês para a psicodelia mais lisérgica possível. Da ânsia em pegar na mão de uma garota adolescente até a preocupação com revoluções prontas para estourar pelo mundo nos fim dos anos 60. Dos cabelinhos tigelinha até o visual mais pesado, com longas barbas e cabelos. Um dia pensei até na teoria da banda ser extra-terrestre. Em mais ou menos oito anos, eles resumiram o caminho que uma banda deveria seguir, passaram por modificações aceleradas e sem exagero algum, conseguiram compactar toda a história do pop e do rock no pequeno período que estiveram na ativa. Com a rica discografia deles, você poderia se isolar numa ilha por muito tempo sem se preocupar com o que iria ouvir. Toda audição do som deles é uma novidade. Você nota detalhes mínimos em cada música, você avalia a performance do Paul no baixo, constata que o Ringo não era tão ruim assim, franze a testa com a mão no queixo e pensa que o Harrison era um ótimo compositor e fica prestando atenção no tom anasalado da voz do John.

O Abbey Road foi o penúltimo álbum lançado pelos Beatles, porém foi o último a ser gravado. Já era o registro de uma banda extremamente evoluída, mas não passava de uma compilação de fragmentos de uma ruína. Claro que se você entrar na atmosfera diversificada do álbum, nem vai perceber que havia uma série de discussões e conflitos.

Como se atentar para faíscas quando o álbum se inicia com a sexualmente flamejante 'Come Together'? O compasso perturbador alternado com ataques constantes de guitarra se debruçam no peso do baixo de Mccartney. A harmonia tem suas pausas estratégicas e ainda apresenta um solo simples, algo perfeitamente inserido. 'Something' é a música definitiva sobre o amor, sobre a admiração direcionada a quem se ama. George Harrison exibe nessa faixa o motivo pelo qual ele deveriar figurar entre os compositores da banda. A música se desenrola de uma forma tão bela, uma cadência decrescente na retomadas de harmonia, tudo, absolutamente tudo nessa canção emociona. 'Maxwell Silver Hammer' evoca uma estrutura muito semelhante à da canção do Sgt. Pepper's "When I'm Sixty-Four" com aquela levada típica de cabaré. A música conta uma história estranha de um cara chamado Maxwell e seu martelo prateado, com direito a mortes por martelada, julgamento e tudo mais. O trabalho com as cordas de guitarra conseguem ser ofuscados pela linha de piano que repousa suavemente sobre a harmonia. O rock gritado de 'Oh! Darling' é uma incrível interpretação do sentimento de desespero/humilhação feita por Paul. 'I Want You (She's so Heavy)' é a mais imponente música feita pelos Beatles. Com arranjos perfeitamente encaixados, uma bateria influenciada pelo jazz e o complemento entre dedilhadas minusciosas de baixo com acordes macios da guitarra, essa faixa é uma longa alternância entre um estilo mais descontraído e toneladas de notas alongadas e pesadas. E quando as nuvens estão caindo sobre o ouvinte, quando os intrumentos se aglomeram numa intensidade indescritível, o céu se abre e o sol aparece com a singela 'Here Comes the Sun'. Uma obra genial de Harrison que se torna ainda mais importante quando cantada por Lennon. Se você fechar os olhos e perceber a levada de violão ao fundo com as palmas, vai evidenciar a destreza de George Martin ao produzir o álbum. E a introdução do sintetizador Moog ficou perfeita, mesmo levando em consideração que eles estavam há pelo menos uma década antes da popularização dos sintetizadores no rock. 'Because' tem uma das mais belas construções harmônicas do rock, utilizando apenas dedilhadas sonolentas de guitarra e pequenos toques de baixo. O canto realmente é a atração da faixa. E quando tudo está maravilhoso, ainda melhora com a habilidade de Paul ao piano abrindo 'You Never Give me your Money'. Tristonha mas versátil, a canção explode num ritmo à la ragtime e o vocal passa de John para Paul mas isso é a última coisa que se percebe em meio a cantos influenciados pelo gospel e por uma repentina subida da guitarra que assume a frente e proporciona uma perfeita mudança de arranjo, com todos cantando:

"One two three four five six seven
All good children go to Heaven"
Diabos, vou pular algumas faixas, se não escrevo sobre todo o álbum. 'She Came In Through The Bathroom' utiliza recursos de R&B para levar o ouvinte a balançar a cabeça, os ombros num ritmo envolvente. E quando tudo fica em silêncio, a arrepiante 'Golden Slumbers' resplandece com um canto sóbrio de Paul que emociona quando se exalta e rasga o vocal no trecho 'Golden Slumbers fill your eyes/Smiles await you when you rise'. Tudo continua magnificamente triste até 'Carry That Weight' entrar no embalo da bateria e anunciar continuidade à nona faixa 'You Never Give me your Money'. E continuando naquele embalo, a profética 'The End' funciona como aquela apresentação dos membros da banda num show. Na bateria... Ringo Starr! E vem um solo de batera só pra exaltar os fã em euforia. E é isso que acontece: Ringo arregaça a boca do balão num solo tribal e mostra que não era o membro medíocre da banda (cabe citar que a faixa Octopus's Garden é de sua autoria). As guitarras são apresentadas com Lennon e Harrison se alternando em epopéias dignas de solos progressivos. Paul complementa com acordes profundos de baixo e repetidas notas de piano, só pra dar uma refinada na coisa.

Abbey Road é o álbum mais bem produzido da banda (talvez Sgt. Pepper's possa até rivalizar), e o grande trunfo do quarteto. Muita gente esquece desse álbum ao colocá-lo entre os melhores do rock, seja porque o fim já estava próximo, seja pela desunião do grupo. Mas eu tenho um jargão particular: "e isso, só os Beatles". Abbey Road é um registro coeso de uma banda em frangalhos. E isso, só os Beatles.

Set List1- Come Together
2- Something
3- Maxwell's Silver Hammer
4- Oh! Darling
5- Octopus's Garden
6- I Want You (She's So Heavy)
7- Here Comes the Sun
8- Because
9- You Never Give Me Your Money
10- Sun King
11- Mean Mr. Mustard
12- Polythene Pam
13- She Came in Through the Bathroom Window
14- Golden Slumbers
15- Carry That Weight
16- The End
17- Her Majesty


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2009 - A volta do RockTown! Downloads

Eu sei, eu sei... estou há um bom tempo sem postar NADA aqui no RockTown! Downloads. Gente no trabalho tá reclamando, gente no meu messenger, gente no meu orkut, gente aqui no blog. Se de um lado lamento o tempo que estou sem postar NADA, por outro lado fico lisonjeado com o reconhecimento do trabalho que tenho feito. Não ganho nada por isso, mas além de ser um prazer escrever sobre coisas que amo de verdade, tenho o grande prazer de conhecer muitos outros amantes da música e com eles firmar amizade. Outro prazer é ver que muita gente anda descobrindo sons aqui no blog. Apresentar coisa boa é tão bom quanto dar boa notícia. E vendo tudo isso que ganhei com o blog, não tenho como imaginar a idéia de largá-lo. Meu trabalho andou quebrando minhas pernas. Roubou todo meu tempo e toda minha energia, eis o motivo pelo qual o RockTown! Downloads jaz aparentemente abandonado. Mas como em muitos casos, as aparências enganam e já vou avisando que 2009 as coisas voltam ao seu devido lugar.

Primeiro, preciso arrumar os links que o 4shared e o Rapidshare andaram quebrando. Em seguida, vou lançar uma pancada de álbuns com resenhas mais breves, só pra compensar. Aí quando o motor pegar de novo, voltamos à estrada em alta velocidade.

A todos vocês, meus sinceros agradecimentos. Sei de muita gente que visita o blog todo dia com a esperança de aparecer algo novo. Valeu pela paciência e pela comunicação que muitos têm mantido através de comentários, avaliação de discos, lá na comunidade no Orkut, e também nos meus scraps. E claro, valeu de verdade pela propaganda que vocês têm feito do blog, seja em comunidades, em divulgação de links e textos e no tradicional boca-a-boca. Vocês são foda!

Agora deixem o Pipoko arrumar esses links...

Abraço e feliz ano novo pra todos!

Loyalty to Loyalty - Cold War Kids

Vira e mexe eu fuçava pelas páginas mais diversas da internet atrás de informação sobre um eventual novo disco do Cold War Kids. O primeiro álbum dessa banda fundada na Califórnia, mais precisamente em Fullerton, me arrebatou os sentidos. Fazia tempo que um álbum não me chamava tanto a atenção. Era um equilíbrio raro entre um rock áspero e perfeitos elementos de baladas pop. Não, não... nada de açucar nessa composição toda. No álbum Robbers and Cowards eles faziam um som extremamente acessível, mesmo quando as letras evocavam os vultos que rastejam córregos de ruas infestadas de pecado, crimes, desgosto com a vida e tudo o que há de pior numa vivência urbana e acima de tudo realista. Toda a potência do piano era utilizada de forma precisa para intensificar a agonia do ouvinte. Tudo era perfeito. E continua perfeito!

No dia 23 de setembro desse presente ano, o Cold War Kids lançou seu segundo álbum, o Loyalty to Loyalty e foi com imenso prazer que me postei a ouvir o novo som dos caras. Andei lendo umas críticas gringas e as opiniões estão bem empatadas. Pra uns, o encanto sumiu. Para outros, eles permanecem uma puta banda com um puta som. Eu concordo que o primeiro álbum é inatingível em seus êxitos particulares que descrevi acima, porém permanecem com uma sonoridade que se agarra a um vigor febril, contaminado por pequenas células de desânimo, um quê de desgraça que desaparece caso o ouvinte desejar. 'Against Privacy' abre as cortinas do espetáculo com melancolia, luzes baixas e expectativa. Toda a sonoridade escancarada, as batidas típicas de Matt Aveiro com aquela trama acústica, exibindo um compasso firme na classe do jazz e o vocal de Nathan Willet, escandaloso, despreocupado e ressonante constroem nessa primeira faixa uma fachada imponente que anuncia com sua beleza sombria os atrativos do interior do edifício. 'Mexican Dogs' intensifica os impulsos, com a guitarra finalmente mostrando sua serventia, a atmosfera se torna densa. O canto de Willet corta o ar enquanto o swing negro dos acordes de guitarra propiciam momentos de dança ou de um simples balançar de cabeça, a aprovação mais singela e sincera. Trechos e mais trechos de cordas entrelaçadas e arrepiantes evidenciam um despertar na sonoridade da banda, que no trabalho anterior se concentrava em canalizar o poder das notas para uma representação angustiante. Agora a banda abre as portas para algo mais rock'n'roll. 'Something is not Right with Me' se reveste de uma urgência no seu desenrolar, é cantada como se o ar estivesse acabando. O piano veloz entope de aflição a melodia e mesmo assim, a banda consegue incluir pausas onde a dupla baixo e bateria dão conta do recado, enquanto Willet canta:

passions of people sleeping late into the evening
reach behind, they can hardly find their spines

'I've Seen Enough' é a balança pendendo mais para o pop. Todo o arranjo trabalha soturno em prol do vocal que com toques de tormento vacilante, completa a perturbante e ao mesmo tempo graciosa canção. E por fim, confira 'Relief'. O trabalho do baixo é marcante e a variação de tons agudos no vocal é prova de liberdade na composição das faixas.

Embora muita gente tenha se decepcionado por não ter ouvido um novo 'We Used to Vacation' (incrível primeira faixa do álbum anterior), o que importa é apreciar a regularidade do som deles. Em uitos casos é bom a banda contituir uma identidade primeiro, antes da chegada das mudanças. Muitas bandas pecam por lançar um primeiro álbum explosivo e em seguida, mudar da água pro vinho, sem firmar a identidade. O Cold War Kids está no caminho dessa confirmação.

Set List

1- Against Privacy
2- Mexican Dogs
3- Every Valley Is Not a Lake
4- Something Is Not Right with Me
5- Welcome to the Occupation
6- Golden Gate Jumpers
7- Avalanche in B
8- I've Seen Enough
9- Every Man I Fall For
10- Dreams Old Men Dream
11- On the Night My Love Broke Through
12- Relief 3:02
13- Cryptomnesia

Baixar o disco!

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Centuries Before Love and War - Stars of Track and Field

Não é segredo algum que no "novo rock" as batidas digitalizadas são cada vez mais presentes. New Rave, Punk Pop, Eletro Rock... Todo esse bolo é recheado de batidas, açucaradas pelos avanços técnicos que garantem pureza cristalina e fidelidade de som, principalmente quando juntamos todo o arranjo e numa audição, nos sentimos no meio de um show. Agora como utilizar desse recurso eletrônico sem ficar na sonoridade piegas que vira e mexe você ouve nos redutos indies de sua cidade (seja numa balada ou a casa de um amigo descolado)?

O Stars of Track and Field (STF) - que também é o nome de uma música do Belle and Sebastian - é uma grata exceção no meio de tantas bandas que desgastam sua proposta sonora com batidinhas. A verdade é que variar as batidas, mudar o tempo delas, fazer uma confusão em forma de pancadas não significa sair do convencional. Até porque o ponto principal dessa questão é como aliar esse recurso à uma estética rock sem que todas as músicas percam a rebeldia das guitarras. E é disso que falo quando incluo o STF dentro das exceções entre a mesmice da cena atual. A banda americana formada em Portland, Oregon apresenta canções riquíssimas em harmonia, melodias que arrepiam, mas que empolgam também, te carimbando uma passagem sem volta para uma viagem de guitarra. Fica no meio termo entre a sensibilidade para emocionar que o Sigur Rós tem e as chicotadas de cordas distorcidas do Death Cab for Cutie. Mas não pense que você vai se derramar em prantos. Não. Ela emociona pelo ajuste da rica melodia com vocais suaves e esparramados, mas é interessante como não fogem do contexto.

O trio lançou seu primeiro EP chamado You Came Here for Sunset Last Year e chamou a atenção da mídia especializada. Rádios independentes tocavam o som deles e divulgavam shows que não paravam de ser marcados (e como de costume, eu os achei na KEXP, rádio de Seattle). O bom nos EUA é como existem rádios que tocam incessantemente sons de bandas da cena da própria cidade. Isso ajuda muito bandas que estão começando, principalmente no agendamento de shows. Eles contaram com bons produtores para essa EP, como Tony Lash (já produziu Dandy Warhols e Elliot Smith) e Jeff Saltzman (que já produziu o ex-Pavement Stephen Malkmus). Um trabalho sério e que deu frutos. E o maior fruto de todos é o primeiro álbum deles, o Centuries Before Love and War que contém algumas faixas do EP. As canções novas do álbum não fogem à linha do trabalho experimental: complexas, calculadas e emocionantes.

Acredite, as batidas digitais dançam uma valsa fodida com a guitarra, formando uma atmosfera densa, formando um rock sólido, embora seja interrompido com trechos de vocal suave acompanhado de piano, como podemos notar na música 'With You'. Se você ouvir 'Say Hello' e fechar os olhos durante introdução que termina com a guitarra dando uma "sapatada na sua nuca", você vai notar a musicalidade aflorando em todos os canais possíveis. Os solos durante essa música são nostálgicos, o tempero que as batidas dão te fazem pensar: onde essa banda estava que eu não encontrei antes? O som deles também se mostra muito maduro durante canções mais calmas, como é o caso de 'Let Ken Green', quando os instrumentos e vocal suave, criam uma harmonia poucas vezes vista, quase hipnótica. É som para poucos.

"Porra Pipoko! O álbum foi lançado em 2006 e só agora aparece aqui?". Tá bom, eu sei. Mas a velha máxima entra em ação: "antes tarde do que nunca". Esse é um álbum bem produzido, bem executado e com um rock quase perfeito, não devendo em intensidade nem em emoção.

Set List

1- Centuries
2- Movies of Antarctica
3- With You
4- Lullabye for a G.I./Don't Close Your Eyes
5- Real Time
6- Arithmatik
7- U.S. Mile 5
8- Say Hello
9- Exit the Recital
10- Fantastic


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Indoor Living - Superchunk

Posts atrás, falei sobre uma banda chamada Polvo. Quando disse que eram de Chapel Hill, na gelada Carolina do Norte, muita gente pode ter se perguntado: "Chapel quê? Carolina de onde?", porém outras pessoas já associaram essa cidade com uma das bandas mais conhecidas pelo underground americano: o Superchunk. Foi lá que em 1989 o vocalista e guitarrista Mac McCaughan, a baixista Laura Ballance, o baterista Chuck Garrison e o guitarrista Jack McCook formaram a banda que a princípio se chamava Chunk. Mas como havia em Nova York uma banda maluca de jazz com o mesmo nome (e mais antiga), eles adotaram o "Super" para diferenciá-los. E quando falo em histórias envolvidas com atitudes para diferenciá-los, não existe somente esse caso. O que realmente importa é o que os diferencia no campo sonoro, o que os separa de outras bandas (da época e de hoje também). Comece pelo vocal saliente, agudo, fanho (como quiser classificar) de McCaughan, elemento que já levanta a antena do ouvinte, que detecta alguma diferença no entoar de canções abrigadas por notas de guitarras distorcidas, rasgadas, evocando o punk dos anos 70, o hardcore dos anos 80, fazendo a junção e agregando ainda ondas agitadas de pop. Existe sempre aquele cara que irá dizer: "porra, mas isso é fácil, todo mundo faz". Mas não do jeito que esses americanos fazem. O som da banda é uma síntese dos anos 90, das suas influências, do que tocou nas rádios, no que tocou no subterrâneo mundo do indie autêntico - autêntico sim, pois o Superchunk sempre recusou propostas de gravadoras maiores, pois eles almejavam mais que discos vendidos, almejavam liberdade.

O álbum Indoor Living, lançado em 1997, e a continuidade de grandes trabalhos anteriores, como No Pocky for Kitty ou On the Mouth. Não é um trabalho inovador, mas ganha pontos por estabelecer a identidade da banda, com uma estética crua aliada a elementos harmônicos do pop e sem prostituir seu som. Quem ouve o álbum, facilmente reconhecerá a banda. Aqui existe aquela aspereza típica do Hüsker Dü, misturada com uma explosão de cordas bem resgatada do The Who (fique atento para a faixa 'Song for Marion Brown' que copia claramente a guitarra inicial da música Baba O'Riley). A primeira faixa 'Unbelievable Things' tem uma levada mais acessível e brinca num solo de guitarra rasante, bem no estilo J. Mascis. Taí um fruto da influência do Dinosaur Jr. na questão de trazer de volta os solos para o rock alternativo (que estava muito veloz graças ao punk). 'Burn Last Sunday' tem os ingredientes que caracterizam uma canção dos anos 90. Ataques rápidos em notas distorcidas, breaks de intensidade para dedilhadas de baixo e guitarra dançando junto com a voz quase adolescente de McCaughan. Um riff simples sem alterna com variações complicadas das cordas e viradas à la Keith Moon na bateria. É questão de prestar atenção pra notar a beleza. 'Watery Hands' é a coisinha pop do álbum. É fácil de cantar (cantar alto mesmo), tem aquele conforto sonoro de fundir esse citado pop com uma cobertura espessa de rock. E vale abusar em trechos vocais, para marcar ainda mais a música no fã. Principalmente quando ele canta "... kiss your (watery hands)". Não tem como esse trecho não grudar na sua mente.

Como disse acima, não se trata de inovação, e sim de continuidade. Muitas bandas indies vão perdendo o sal (ou açucar) durante os anos e isso é lamentável. Não dá pra se adaptar à mudanças bruscas sem quase morrer do coração. A banda não fez sua grande obra nesse álbum, mas também não deu susto nenhum. Vai por mim, isso é muito bom quando se trata de Superchunk.

Set List

1- Unbelievable Things
2- Burn Last Sunday
3- Marquee
4- Watery Hands
5- Nu Bruises
6- Every Single Instinct
7- Song for Marion Brown
8- The Popular Music
9- Under Our Feet
10- European Medicine
11- Martinis on the Roof


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Ode to Sunshine - Delta Spirit

Quando soube da banda, a primeira coisa em que pensei foi na vertente do blues vinda do delta do Mississippi, o que automaticamente me levou a pensar: deve ser som triste. Na primeira audição, leia-se primeira faixa, achei que meu julgamento precoce seria confirmado. Mas como num salto, do fundo de um abismo para verdes planícies, a banda de San Diego, Califórnia, se faz valer de poderosas e agitadas notas e invoca almas angustiadas para se juntar ao coro que liderado por Matthew Vasquez, faz um belo trabalho vocal amalgamado num indie rock regado de temperos folk, sim, não é folk-rock ou anti-folk. Apenas um temperinho caipira. É aquele bom e velho indie tão peculiar à nossa década, com o folk tão peculiar ao fim da mesma década. Mas se você já enjoou daqueles grupinhos vestidos de marrom, barba por fazer e canção que não condiz com a realidade deles, tudo para besuntar músicas com letras oleosas e tendenciosas, esqueça de relacionar o Delta Spirit à toda essa farsa.

No álbum Ode to Sunshine, lançado em 2007, tem ótimas cargas de piano, um senso de produção apurado e competência de sobra para ligar o seu alerta e te abrir os olhos para os próximos trabalhos desse grupo que fará você lembrar do Cold War Kids. Dê uma olhada de primeira na locomotiva musical que 'Trashcan' apresenta ou na firme e calcada 'People C'mon' que apresenta uma bela letra, agonizante nos vocais e pausada em sua maior parte. Uma bela harmonia de fato. 'Parade' é enraizada no rock clássico, com acordes pitorescos e de levada rasteira e certeira. 'Bleeding Bells' desmonta o ouvinte com uma melancolia adocicada, algo de Bob Dylan no modo de conduzir a voz em meio à notas leves de violão, e interposições de instrumentos de sopro. Simples e belo.

Posso divagar aqui sobre muitos motivos que farão você babar no teclado e clicar no link abaixo. Querem que eu diga "isso é som de primeira" ou "coisa fina, vai por mim"? Vá baixar essa porra logo!

Set List

1- Tomorrow Goes Away
2- Trashcan
3- People C'mon
4- House Built for Two
5- Strange Vine
6- Streetwalker
7- People, Turn Around
8- Parade
9- Bleeding Bells
10- Children
11- Ode to Sunshine


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Dyed in the Wool - Shannon Wright

Muitas deusas que compoem o panteão do rock feminino já empoeiram seus doces pés na estrada há um bom tempo. Cat Power, PJ Harvey, Julie Doiron entre outras gozam de destaque em nossos dias, graças à dura plantação de sementes. Shannon Wright, americana nascida em Jacksonville, Flórida, é uma delas. Com voz repleta de personalidade, identidade sonora vinda de um peso extra em cada acorde, cada batida. Ao ouví-la, não há como não sentir um nevoeiro denso se instalando lentamente na mente. Sua voz suave disfarça bem a dor de suas letras, a mortalidade próxima, tangível em sua poesia. Mas nem tudo se resume ao negror da vida ou da sensação do fim da mesma. Dentro de cada cápsula de melancolia, existe um êxtase musical, fundamentos bem fixados do indie rock dos anos 90, uma despretensão em relação à perfeição, uma mescla de acordes angustiados da guitarra com toques suaves de piano, entrelaçados por batidas assimétricas que fazem o som rastejar, fazendo vítimas numa execução sorrateira, com resultado pernicioso.

Lançado em 2001, Dyed in the Wool o quarto álbum solo de Wright é devastador (solo sim, ela é ex-vocalista do Crowsdell). Usa de técnicas conhecidas pelo público, como também entra em experimentos de cunho melancólico. Com produção de peso, tendo Steve Albini como engenheiro de som e Andy Baker como produtor, Wright gozou de liberdade para estender sua visão musical, numa flexibilidade admirável. Ela incendeia qualquer receio com uma entrada triunfal na primeira faixa, 'Less Than a Moment'. Harmonia perfeita, indie rock de primeira e o vocal adocicado fazem da faixa um delicioso aperitivo, daquele que se fosse prato principal, seria bom da mesma forma. 'The Hem Around Us' é a faceta tristonha, uma especialidade da cantora. Cordas que choram em meio à uma batida quase fúnebre contrastam com a voz soberba, pretensiosa em acertar o sentimento. Na mosca. 'Vessel for a Minor Lady' é de beleza única, uma pérola encravada no meio de um álbum tão curto. Lamentável ser tão curto. A faixa que dá nome ao álbum 'Dyed in the Wool' é sólida, incontestável quando o assunto é rasgar estruturas em nome de algo experimental, algo que profane a sagrada mesmice. No início, Wright flutua com sua voz, se sobrepondo à guitarra. Batidas surgem e a música toma outros rumos. Toda vez que Wright canta "I will keep you sane", a melodia se intensifica, até que na última vez que ela canta, o pau come solto, dedilhadas rápidas nas cordas, seja da guitarra, seja do baixo, elevam o caos escondido em cada trecho dessa faixa sensacional, no melhor que esse adjetivo pode ter.

Não sei se pode ser a consagração da cantora. Mas Dyed in a Wool é de uma riqueza harmônica indescritível. Wright tem um vocal sedutor e ao mesmo tempo repelente. É agradável e perturbadora. Mexendo assim com nossos sentidos, fica difícil escolher se ela é doce ou amarga. Cá entre nós, tem hora que o amargo cai bem.

Set List

1- Less Than a Moment
2- The Hem Around Us
3- Hinterland
4- Vessel for a Minor Malady
5- You Hurry Wonder
6- Dyed in the Wool
7- Method of Sleeping
8- Surly Demise
9- Colossal Hours
10- The Path of Least Persistence (Figure II)
11- The Sable
12- Bells


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