Especial RockTown! no Twitter

Pra quem não tem Twitter ou não tem saco de mexer naquele site, aqui vai um resumo do que foi postado nesse tempinho de presença do nosso blog no Twitter:
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Curses! - Future of the Left: Que tal colocar o som do Future of the Left? Com o ex-baterista e ex-guitarrista/vocalista do McLusky, eles mantém aquela pedrada sonora. O álbum é o Curses! de 2007. Destaque para 'My Gymnastic Past' e sua guitarra marcante e 'Manchasm'.

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Sometimes I Wish We Were an Eagle - Bill Callahan: Bill Callahan (ex-smog) destila seu lo-fi esmagador com sua voz rasgada e poderosa, que empresta a classe ideal aos arranjos gloriosos desse novo álbum solo. Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle é forte candidato a melhor álbum do ano. Recebeu 5 estrelas das revistas Mojo, Uncut e Rolling Stone, está ultima o classificando como 'clássico instantêneo'. Faixas especiais: 'Jim Cain', 'The Wind and the Dove' e 'Too Many Birds'. Recomendadíssimo.

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And the Glass Handed Kites - Mew: Essa banda dinamarquesa conta com influências das mais finas possíveis: Dinosaur Jr., Pixies e My Bloody Valentine. O álbum And the Glass Handed Kites lançado em 2005 foi muito bem recebido pela crítica. Eles proporcionam uma viagem pelo space rock, sem perder o peso do indie dos anos 90. Mas não é inacessível: você sente pitadas de pop pra lá e pra cá. Confira 'Circuitry Of The Wolf', 'Apocalypso' e a emocionante 'The Zookeeper's Boy'.

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Racional Volume 1 - Tim Maia: Lançado em 1975, numa época em que Tim Maia pertencia a uma seita estranha demais, Racional Volume 1 é sem dúvida um dos vinis mais procurados (e caros) por colecionadores (inclusive eu!). Embora esteja lotada de pregação e apologia à seita Mundo Racional, o funk contido nessas faixas é de extrema qualidade. Tim Maia não se intimidou e enviou cópias do LP para gente como James Brown, Curtis Mayfield e John Lennon. Esse último, ao receber, enviou uma foto completamente nu com uma mensagem: "Dear freak, I don't understand portuguese. What abou LISTEN to this photo?". Tim profetizou a morte do ex-Beatle para 1984. Lennon morreu em 1980, mas valeu a tentativa!

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The King - Teenage Fanclub: Geralmente quando você ouve falar sobre o Teenage Fanclub, logo vem à cabeça aquele disco com um saco de dinheiro, o Bandwagonesque. O Bandwagonesque tem os sons mais conhecido, é claro. Mas você sabia que a banda lançou um álbum onde fazia covers de Madonna e Pink Floyd? O 'The King' foi lançado em 1991 e foi gravado no tempo que sobrou nos estúdios, após a gravação do Bandwagonesque. Fique atento às faixas 'Interstellar Overdrive', cover do Pink Floyd psicodélico de Syd Barrett. 'Like a Virgin' é um sucesso oportuno. E o 'Robot Love' de autoria da banda, te remete ao Sonic Youth, lembrando muito também da notas arranhadas de J Mascis do Dinosaur Jr.

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Free Your Mind and Win a Pony - Golden Animals: Você já ouviu falar no Golden Animals? Blues, psicodelia, folk. Ah sim! Rock! A voz do vocalista Tommy Eisner é muito parecida com a do Jim Morrison dos Doors, mas ninguém percebe uma pretensão de Eisner em imitá-lo. Linda Beecroft cuida da percussão e ajuda no vocal. Sim, o Golden Animals é uma dupla. Mas a atmosfera do som deles é bem intensa, maciça. O álbum Free Your Mind and Win a Pony foi lançado em 2008 e é uma grata surpresa para quem esperava tantos elementos juntos e bem misturados. Recomendo 'The Steady Roller', 'Queen Mary (The Flop)' e 'My My My'. Vai por mim, é som de primeira!

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O Twitter me pareceu a saída mais rápida para a falta de tempo. De forma breve e objetiva, colocarei links de downloads escolhidos a dedo.

É um espaço legal pra gente interagir sobre música, não acham?

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Pacific Ocean Blue - Dennis Wilson

Mas quem diabos é Dennis Wilson?, você deve estar a se perguntar. Se você pensar um pouco, cavar em seus registros de memória (dos mais distantes aos mais recentes) vai lembrar de um certo gênio musical chamado Brian Wilson, dos Beach Boys. Do mesmo sangue onde corria a sensibilidade pop de Brian, nasceu Dennis o baterista dos Beach Boys. Dennis era considerado o menos talentoso dos três irmãos (Brian, Dennis e Carl) até porque não se envolvia tanto no processo criativo dos álbuns da banda - embora Brian tenha tomado para si essa função criativa em meio a sua loucura movida pela ambição de superar os Beatles. E numa banda que evocava a praia e o surfe como seus principais trunfos musicais, Dennis era o único surfista de verdade. Rebelde, sempre em conflito com seu pai, o beach boy veio a falecer no ano de 1983, afogado enquanto mergulhava em volta de seu barco em Marina del Rey, na Califórnia.

Em meio ao vendaval de mudanças pelo qual os Beach Boys passavam nos anos 60, Dennis resolveu compor algumas canções. Algumas com e 'Little Bird' e 'Be Still' entraram para o álbum Friends, passando pelo mesmo que George Harrison passou nos Beatles, quando ele revelou sua perícia na composição de músicas incríveis. Nos anos 70 as músicas de Dennis sempre marcavam presença nos álbuns o que o levou a gravar no início da mesma década um single chamado 'Dragon'. E foi em 1975 que Dennis iniciou a criação de Pacific Ocean Blue. O seu único trabalho solo foi aclamado pela crítica e muito comemorado por seu irmão Brian. E pra ser sincero, cada palavra positiva seja em comemorações, seja em aclamações foram merecidas. Se Brian era o gênio do pop, disputando de igual pra igual com Lennon e Mccartney, seu irmão captou as lições e sem nenhum traço de loucura, fez um dos melhores álbuns do pop dos anos 70. A audição dele é surpreendente para um navegante de primeira viagem, até porque a qualidade da produção e a sofisticação dos arranjos fazem o ouvinte deduzir que se trata de um trabalho atual. Os recursos de sintetizadores, o balanço das canções que se valiam do suingue do soul, funk e do R&B, a elegância das notas de piano que adornam diversas das canções e as letras intimistas e universais, enfim, tudo nessas doze faixas atraem até o mais rude dos seres.

'River Song' é delicada porém majestosa. Apresenta uma linha de baixo tímida mas suficiente para não deixar a harmonia rastejar em sujeira. A onda de vocais num estilo gospel, sejam corais, sejam backing vocals, apenas elevam a imponência da canção enquanto Dennis repete infidavelmente a frase 'Rollin' rollin' rollin' on river'. O trabalho de inserções vocais é poderoso e com certeza poderia figurar entre as canções do Pet Sounds, ou do Today!. Acredite, não é exagero algum o que estou escrevendo. 'What's Wrong' empresta um pouco do balanço do rock dos anos 50, salpicada de ardentes notas de piano. 'Moonshine' é uma obra adiantada, à frente de seu tempo. O que as bandas começariam a fazer na metade dos anos 80, Dennis já experimentava nessa faixa. A regularidade de sua voz, sempre tristonha, sempre sóbria é um encanto à mais. 'Dreamer' é a materialização da liberdade de criação do ex-baterista dos Beach Boys. Uma forte influência de funk, com trompete para temperar a versatilidade do músico. 'Thoughts of You' é triste, dolorosa e conformada. É a saudade que bate no homem e que o faz abaixar a cabeça e aceitar as coisas como são. É encarar o fato de que até o amor morre um dia:

All things that live, one day must die, you know
Even love and the things we hold close
Look at love, look at love, look at love
Look what we've done

A voz de Dennis é sonolenta, como se estivesse balbuciando palavras ao telefone, ainda deitado em sua cama, num quarto perto do mar. O piano acompanha o desenrolar da canção com beleza indescritível. Os arranjos tomam proporções caóticas e tensas quando ele canta a estrofe acima descrita. É arrepiante. 'Time' é soturna, uma espécie de adaptação, do "filho pródigo" para "marido pródigo". E quando a calma é aterradora, o funk de novo quebra o pau e instala uma atmosfera dançante, exibindo claramente o porquê do sobrenome Wilson.

Eu costumo fazer uma descrição rápida do Pacific Ocean Blue para quem não o conhece: é uma espécie de Beach Boys mais sofisticado. Seria como a banda liderada por Brian soaria hoje em dia. A morte de Dennis foi uma perda inestimável para a música. Mas seu legado para a humanidade é tão grande quanto a falta que ele faz. A única coisa que não é nova nesse álbum é o fato de que a música sempre vence a morte.

Set List

1- River Song
2- What's Wrong
3- Moonshine
4- Friday Night
5- Dreamer
6- Thoughts of You
7- Time
8- You and I
9- Pacific Ocean Blues
10- Farewell My Friend
11- Rainbows
12- End of the Show

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Abbey Road - Beatles

Eu realmente não sei o que é mais difícil: voltar ao blog depois de tanto tempo ou escrever sobre os Beatles. Mas era preciso retornar com algo de peso. Nada mais pesado, nada mais relevante que a cultuada banda de Liverpool. Ainda se considerarmos que o único álbum dos Beatles presente no Rock Town! Downloads é um álbum 'não-oficial', lançado recentemente e com músicas alteradas.

A situação em 1969 - quando o álbum Abbey Road foi lançado - não era das melhores. John Lennon já havia conhecido a Yoko, o Ringo Starr já havia passado por diversas crises de complexo de inferioridade, George Harrison queria mais espaço para suas composições e Paul Mccartney aumentava cada vez mais sua influência com a ausência cada vez mais frequente de John. Os conflitos de cunho artístico e até ideológico permeavam a atmosfera dos fab-four e a banda caminhava para o fim. Mas pelo menos no caso dos Beatles, não havia como constatar algo, não havia como adivinhar o fim da história.

Os Beatles começaram em 1962, tocando em Liverpool. Um misto de composições próprias e covers dos rocks da época. Em questão de quatro anos eram a banda mais influente da história do rock. Em menos de dez anos eles mudaram de som, de visão sobre o mundo e até de visual por diversas vezes. Dos iê-iê-iês para a psicodelia mais lisérgica possível. Da ânsia em pegar na mão de uma garota adolescente até a preocupação com revoluções prontas para estourar pelo mundo nos fim dos anos 60. Dos cabelinhos tigelinha até o visual mais pesado, com longas barbas e cabelos. Um dia pensei até na teoria da banda ser extra-terrestre. Em mais ou menos oito anos, eles resumiram o caminho que uma banda deveria seguir, passaram por modificações aceleradas e sem exagero algum, conseguiram compactar toda a história do pop e do rock no pequeno período que estiveram na ativa. Com a rica discografia deles, você poderia se isolar numa ilha por muito tempo sem se preocupar com o que iria ouvir. Toda audição do som deles é uma novidade. Você nota detalhes mínimos em cada música, você avalia a performance do Paul no baixo, constata que o Ringo não era tão ruim assim, franze a testa com a mão no queixo e pensa que o Harrison era um ótimo compositor e fica prestando atenção no tom anasalado da voz do John.

O Abbey Road foi o penúltimo álbum lançado pelos Beatles, porém foi o último a ser gravado. Já era o registro de uma banda extremamente evoluída, mas não passava de uma compilação de fragmentos de uma ruína. Claro que se você entrar na atmosfera diversificada do álbum, nem vai perceber que havia uma série de discussões e conflitos.

Como se atentar para faíscas quando o álbum se inicia com a sexualmente flamejante 'Come Together'? O compasso perturbador alternado com ataques constantes de guitarra se debruçam no peso do baixo de Mccartney. A harmonia tem suas pausas estratégicas e ainda apresenta um solo simples, algo perfeitamente inserido. 'Something' é a música definitiva sobre o amor, sobre a admiração direcionada a quem se ama. George Harrison exibe nessa faixa o motivo pelo qual ele deveriar figurar entre os compositores da banda. A música se desenrola de uma forma tão bela, uma cadência decrescente na retomadas de harmonia, tudo, absolutamente tudo nessa canção emociona. 'Maxwell Silver Hammer' evoca uma estrutura muito semelhante à da canção do Sgt. Pepper's "When I'm Sixty-Four" com aquela levada típica de cabaré. A música conta uma história estranha de um cara chamado Maxwell e seu martelo prateado, com direito a mortes por martelada, julgamento e tudo mais. O trabalho com as cordas de guitarra conseguem ser ofuscados pela linha de piano que repousa suavemente sobre a harmonia. O rock gritado de 'Oh! Darling' é uma incrível interpretação do sentimento de desespero/humilhação feita por Paul. 'I Want You (She's so Heavy)' é a mais imponente música feita pelos Beatles. Com arranjos perfeitamente encaixados, uma bateria influenciada pelo jazz e o complemento entre dedilhadas minusciosas de baixo com acordes macios da guitarra, essa faixa é uma longa alternância entre um estilo mais descontraído e toneladas de notas alongadas e pesadas. E quando as nuvens estão caindo sobre o ouvinte, quando os intrumentos se aglomeram numa intensidade indescritível, o céu se abre e o sol aparece com a singela 'Here Comes the Sun'. Uma obra genial de Harrison que se torna ainda mais importante quando cantada por Lennon. Se você fechar os olhos e perceber a levada de violão ao fundo com as palmas, vai evidenciar a destreza de George Martin ao produzir o álbum. E a introdução do sintetizador Moog ficou perfeita, mesmo levando em consideração que eles estavam há pelo menos uma década antes da popularização dos sintetizadores no rock. 'Because' tem uma das mais belas construções harmônicas do rock, utilizando apenas dedilhadas sonolentas de guitarra e pequenos toques de baixo. O canto realmente é a atração da faixa. E quando tudo está maravilhoso, ainda melhora com a habilidade de Paul ao piano abrindo 'You Never Give me your Money'. Tristonha mas versátil, a canção explode num ritmo à la ragtime e o vocal passa de John para Paul mas isso é a última coisa que se percebe em meio a cantos influenciados pelo gospel e por uma repentina subida da guitarra que assume a frente e proporciona uma perfeita mudança de arranjo, com todos cantando:

"One two three four five six seven
All good children go to Heaven"

Diabos, vou pular algumas faixas, se não escrevo sobre todo o álbum. 'She Came In Through The Bathroom' utiliza recursos de R&B para levar o ouvinte a balançar a cabeça, os ombros num ritmo envolvente. E quando tudo fica em silêncio, a arrepiante 'Golden Slumbers' resplandece com um canto sóbrio de Paul que emociona quando se exalta e rasga o vocal no trecho 'Golden Slumbers fill your eyes/Smiles await you when you rise'. Tudo continua magnificamente triste até 'Carry That Weight' entrar no embalo da bateria e anunciar continuidade à nona faixa 'You Never Give me your Money'. E continuando naquele embalo, a profética 'The End' funciona como aquela apresentação dos membros da banda num show. Na bateria... Ringo Starr! E vem um solo de batera só pra exaltar os fã em euforia. E é isso que acontece: Ringo arregaça a boca do balão num solo tribal e mostra que não era o membro medíocre da banda (cabe citar que a faixa Octopus's Garden é de sua autoria). As guitarras são apresentadas com Lennon e Harrison se alternando em epopéias dignas de solos progressivos. Paul complementa com acordes profundos de baixo e repetidas notas de piano, só pra dar uma refinada na coisa.

Abbey Road é o álbum mais bem produzido da banda (talvez Sgt. Pepper's possa até rivalizar), e o grande trunfo do quarteto. Muita gente esquece desse álbum ao colocá-lo entre os melhores do rock, seja porque o fim já estava próximo, seja pela desunião do grupo. Mas eu tenho um jargão particular: "e isso, só os Beatles". Abbey Road é um registro coeso de uma banda em frangalhos. E isso, só os Beatles.

Set List

1- Come Together
2- Something
3- Maxwell's Silver Hammer
4- Oh! Darling
5- Octopus's Garden
6- I Want You (She's So Heavy)
7- Here Comes the Sun
8- Because
9- You Never Give Me Your Money
10- Sun King
11- Mean Mr. Mustard
12- Polythene Pam
13- She Came in Through the Bathroom Window
14- Golden Slumbers
15- Carry That Weight
16- The End
17- Her Majesty

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Experimente! Ouça a primeira faixa do álbum!




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2009 - A volta do RockTown! Downloads

Eu sei, eu sei... estou há um bom tempo sem postar NADA aqui no RockTown! Downloads. Gente no trabalho tá reclamando, gente no meu messenger, gente no meu orkut, gente aqui no blog. Se de um lado lamento o tempo que estou sem postar NADA, por outro lado fico lisonjeado com o reconhecimento do trabalho que tenho feito. Não ganho nada por isso, mas além de ser um prazer escrever sobre coisas que amo de verdade, tenho o grande prazer de conhecer muitos outros amantes da música e com eles firmar amizade. Outro prazer é ver que muita gente anda descobrindo sons aqui no blog. Apresentar coisa boa é tão bom quanto dar boa notícia. E vendo tudo isso que ganhei com o blog, não tenho como imaginar a idéia de largá-lo. Meu trabalho andou quebrando minhas pernas. Roubou todo meu tempo e toda minha energia, eis o motivo pelo qual o RockTown! Downloads jaz aparentemente abandonado. Mas como em muitos casos, as aparências enganam e já vou avisando que 2009 as coisas voltam ao seu devido lugar.

Primeiro, preciso arrumar os links que o 4shared e o Rapidshare andaram quebrando. Em seguida, vou lançar uma pancada de álbuns com resenhas mais breves, só pra compensar. Aí quando o motor pegar de novo, voltamos à estrada em alta velocidade.

A todos vocês, meus sinceros agradecimentos. Sei de muita gente que visita o blog todo dia com a esperança de aparecer algo novo. Valeu pela paciência e pela comunicação que muitos têm mantido através de comentários, avaliação de discos, lá na comunidade no Orkut, e também nos meus scraps. E claro, valeu de verdade pela propaganda que vocês têm feito do blog, seja em comunidades, em divulgação de links e textos e no tradicional boca-a-boca. Vocês são foda!

Agora deixem o Pipoko arrumar esses links...

Abraço e feliz ano novo pra todos!

Loyalty to Loyalty - Cold War Kids

Vira e mexe eu fuçava pelas páginas mais diversas da internet atrás de informação sobre um eventual novo disco do Cold War Kids. O primeiro álbum dessa banda fundada na Califórnia, mais precisamente em Fullerton, me arrebatou os sentidos. Fazia tempo que um álbum não me chamava tanto a atenção. Era um equilíbrio raro entre um rock áspero e perfeitos elementos de baladas pop. Não, não... nada de açucar nessa composição toda. No álbum Robbers and Cowards eles faziam um som extremamente acessível, mesmo quando as letras evocavam os vultos que rastejam córregos de ruas infestadas de pecado, crimes, desgosto com a vida e tudo o que há de pior numa vivência urbana e acima de tudo realista. Toda a potência do piano era utilizada de forma precisa para intensificar a agonia do ouvinte. Tudo era perfeito. E continua perfeito!

No dia 23 de setembro desse presente ano, o Cold War Kids lançou seu segundo álbum, o Loyalty to Loyalty e foi com imenso prazer que me postei a ouvir o novo som dos caras. Andei lendo umas críticas gringas e as opiniões estão bem empatadas. Pra uns, o encanto sumiu. Para outros, eles permanecem uma puta banda com um puta som. Eu concordo que o primeiro álbum é inatingível em seus êxitos particulares que descrevi acima, porém permanecem com uma sonoridade que se agarra a um vigor febril, contaminado por pequenas células de desânimo, um quê de desgraça que desaparece caso o ouvinte desejar. 'Against Privacy' abre as cortinas do espetáculo com melancolia, luzes baixas e expectativa. Toda a sonoridade escancarada, as batidas típicas de Matt Aveiro com aquela trama acústica, exibindo um compasso firme na classe do jazz e o vocal de Nathan Willet, escandaloso, despreocupado e ressonante constroem nessa primeira faixa uma fachada imponente que anuncia com sua beleza sombria os atrativos do interior do edifício. 'Mexican Dogs' intensifica os impulsos, com a guitarra finalmente mostrando sua serventia, a atmosfera se torna densa. O canto de Willet corta o ar enquanto o swing negro dos acordes de guitarra propiciam momentos de dança ou de um simples balançar de cabeça, a aprovação mais singela e sincera. Trechos e mais trechos de cordas entrelaçadas e arrepiantes evidenciam um despertar na sonoridade da banda, que no trabalho anterior se concentrava em canalizar o poder das notas para uma representação angustiante. Agora a banda abre as portas para algo mais rock'n'roll. 'Something is not Right with Me' se reveste de uma urgência no seu desenrolar, é cantada como se o ar estivesse acabando. O piano veloz entope de aflição a melodia e mesmo assim, a banda consegue incluir pausas onde a dupla baixo e bateria dão conta do recado, enquanto Willet canta:

passions of people sleeping late into the evening
reach behind, they can hardly find their spines

'I've Seen Enough' é a balança pendendo mais para o pop. Todo o arranjo trabalha soturno em prol do vocal que com toques de tormento vacilante, completa a perturbante e ao mesmo tempo graciosa canção. E por fim, confira 'Relief'. O trabalho do baixo é marcante e a variação de tons agudos no vocal é prova de liberdade na composição das faixas.

Embora muita gente tenha se decepcionado por não ter ouvido um novo 'We Used to Vacation' (incrível primeira faixa do álbum anterior), o que importa é apreciar a regularidade do som deles. Em uitos casos é bom a banda contituir uma identidade primeiro, antes da chegada das mudanças. Muitas bandas pecam por lançar um primeiro álbum explosivo e em seguida, mudar da água pro vinho, sem firmar a identidade. O Cold War Kids está no caminho dessa confirmação.

Set List

1- Against Privacy
2- Mexican Dogs
3- Every Valley Is Not a Lake
4- Something Is Not Right with Me
5- Welcome to the Occupation
6- Golden Gate Jumpers
7- Avalanche in B
8- I've Seen Enough
9- Every Man I Fall For
10- Dreams Old Men Dream
11- On the Night My Love Broke Through
12- Relief 3:02
13- Cryptomnesia

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Experimente! Ouça a segunda faixa do álbum!



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Centuries Before Love and War - Stars of Track and Field

Não é segredo algum que no "novo rock" as batidas digitalizadas são cada vez mais presentes. New Rave, Punk Pop, Eletro Rock... Todo esse bolo é recheado de batidas, açucaradas pelos avanços técnicos que garantem pureza cristalina e fidelidade de som, principalmente quando juntamos todo o arranjo e numa audição, nos sentimos no meio de um show. Agora como utilizar desse recurso eletrônico sem ficar na sonoridade piegas que vira e mexe você ouve nos redutos indies de sua cidade (seja numa balada ou a casa de um amigo descolado)?

O Stars of Track and Field (STF) - que também é o nome de uma música do Belle and Sebastian - é uma grata exceção no meio de tantas bandas que desgastam sua proposta sonora com batidinhas. A verdade é que variar as batidas, mudar o tempo delas, fazer uma confusão em forma de pancadas não significa sair do convencional. Até porque o ponto principal dessa questão é como aliar esse recurso à uma estética rock sem que todas as músicas percam a rebeldia das guitarras. E é disso que falo quando incluo o STF dentro das exceções entre a mesmice da cena atual. A banda americana formada em Portland, Oregon apresenta canções riquíssimas em harmonia, melodias que arrepiam, mas que empolgam também, te carimbando uma passagem sem volta para uma viagem de guitarra. Fica no meio termo entre a sensibilidade para emocionar que o Sigur Rós tem e as chicotadas de cordas distorcidas do Death Cab for Cutie. Mas não pense que você vai se derramar em prantos. Não. Ela emociona pelo ajuste da rica melodia com vocais suaves e esparramados, mas é interessante como não fogem do contexto.

O trio lançou seu primeiro EP chamado You Came Here for Sunset Last Year e chamou a atenção da mídia especializada. Rádios independentes tocavam o som deles e divulgavam shows que não paravam de ser marcados (e como de costume, eu os achei na KEXP, rádio de Seattle). O bom nos EUA é como existem rádios que tocam incessantemente sons de bandas da cena da própria cidade. Isso ajuda muito bandas que estão começando, principalmente no agendamento de shows. Eles contaram com bons produtores para essa EP, como Tony Lash (já produziu Dandy Warhols e Elliot Smith) e Jeff Saltzman (que já produziu o ex-Pavement Stephen Malkmus). Um trabalho sério e que deu frutos. E o maior fruto de todos é o primeiro álbum deles, o Centuries Before Love and War que contém algumas faixas do EP. As canções novas do álbum não fogem à linha do trabalho experimental: complexas, calculadas e emocionantes.

Acredite, as batidas digitais dançam uma valsa fodida com a guitarra, formando uma atmosfera densa, formando um rock sólido, embora seja interrompido com trechos de vocal suave acompanhado de piano, como podemos notar na música 'With You'. Se você ouvir 'Say Hello' e fechar os olhos durante introdução que termina com a guitarra dando uma "sapatada na sua nuca", você vai notar a musicalidade aflorando em todos os canais possíveis. Os solos durante essa música são nostálgicos, o tempero que as batidas dão te fazem pensar: onde essa banda estava que eu não encontrei antes? O som deles também se mostra muito maduro durante canções mais calmas, como é o caso de 'Let Ken Green', quando os instrumentos e vocal suave, criam uma harmonia poucas vezes vista, quase hipnótica. É som para poucos.

"Porra Pipoko! O álbum foi lançado em 2006 e só agora aparece aqui?". Tá bom, eu sei. Mas a velha máxima entra em ação: "antes tarde do que nunca". Esse é um álbum bem produzido, bem executado e com um rock quase perfeito, não devendo em intensidade nem em emoção.

Set List

1- Centuries
2- Movies of Antarctica
3- With You
4- Lullabye for a G.I./Don't Close Your Eyes
5- Real Time
6- Arithmatik
7- U.S. Mile 5
8- Say Hello
9- Exit the Recital
10- Fantastic

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Experimente! Ouça a oitava faixa do álbum!


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Indoor Living - Superchunk

Posts atrás, falei sobre uma banda chamada Polvo. Quando disse que eram de Chapel Hill, na gelada Carolina do Norte, muita gente pode ter se perguntado: "Chapel quê? Carolina de onde?", porém outras pessoas já associaram essa cidade com uma das bandas mais conhecidas pelo underground americano: o Superchunk. Foi lá que em 1989 o vocalista e guitarrista Mac McCaughan, a baixista Laura Ballance, o baterista Chuck Garrison e o guitarrista Jack McCook formaram a banda que a princípio se chamava Chunk. Mas como havia em Nova York uma banda maluca de jazz com o mesmo nome (e mais antiga), eles adotaram o "Super" para diferenciá-los. E quando falo em histórias envolvidas com atitudes para diferenciá-los, não existe somente esse caso. O que realmente importa é o que os diferencia no campo sonoro, o que os separa de outras bandas (da época e de hoje também). Comece pelo vocal saliente, agudo, fanho (como quiser classificar) de McCaughan, elemento que já levanta a antena do ouvinte, que detecta alguma diferença no entoar de canções abrigadas por notas de guitarras distorcidas, rasgadas, evocando o punk dos anos 70, o hardcore dos anos 80, fazendo a junção e agregando ainda ondas agitadas de pop. Existe sempre aquele cara que irá dizer: "porra, mas isso é fácil, todo mundo faz". Mas não do jeito que esses americanos fazem. O som da banda é uma síntese dos anos 90, das suas influências, do que tocou nas rádios, no que tocou no subterrâneo mundo do indie autêntico - autêntico sim, pois o Superchunk sempre recusou propostas de gravadoras maiores, pois eles almejavam mais que discos vendidos, almejavam liberdade.

O álbum Indoor Living, lançado em 1997, e a continuidade de grandes trabalhos anteriores, como No Pocky for Kitty ou On the Mouth. Não é um trabalho inovador, mas ganha pontos por estabelecer a identidade da banda, com uma estética crua aliada a elementos harmônicos do pop e sem prostituir seu som. Quem ouve o álbum, facilmente reconhecerá a banda. Aqui existe aquela aspereza típica do Hüsker Dü, misturada com uma explosão de cordas bem resgatada do The Who (fique atento para a faixa 'Song for Marion Brown' que copia claramente a guitarra inicial da música Baba O'Riley). A primeira faixa 'Unbelievable Things' tem uma levada mais acessível e brinca num solo de guitarra rasante, bem no estilo J. Mascis. Taí um fruto da influência do Dinosaur Jr. na questão de trazer de volta os solos para o rock alternativo (que estava muito veloz graças ao punk). 'Burn Last Sunday' tem os ingredientes que caracterizam uma canção dos anos 90. Ataques rápidos em notas distorcidas, breaks de intensidade para dedilhadas de baixo e guitarra dançando junto com a voz quase adolescente de McCaughan. Um riff simples sem alterna com variações complicadas das cordas e viradas à la Keith Moon na bateria. É questão de prestar atenção pra notar a beleza. 'Watery Hands' é a coisinha pop do álbum. É fácil de cantar (cantar alto mesmo), tem aquele conforto sonoro de fundir esse citado pop com uma cobertura espessa de rock. E vale abusar em trechos vocais, para marcar ainda mais a música no fã. Principalmente quando ele canta "... kiss your (watery hands)". Não tem como esse trecho não grudar na sua mente.

Como disse acima, não se trata de inovação, e sim de continuidade. Muitas bandas indies vão perdendo o sal (ou açucar) durante os anos e isso é lamentável. Não dá pra se adaptar à mudanças bruscas sem quase morrer do coração. A banda não fez sua grande obra nesse álbum, mas também não deu susto nenhum. Vai por mim, isso é muito bom quando se trata de Superchunk.

Set List

1- Unbelievable Things
2- Burn Last Sunday
3- Marquee
4- Watery Hands
5- Nu Bruises
6- Every Single Instinct
7- Song for Marion Brown
8- The Popular Music
9- Under Our Feet
10- European Medicine
11- Martinis on the Roof

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Experimente! Ouça a quarta faixa do álbum!



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Ode to Sunshine - Delta Spirit

Quando soube da banda, a primeira coisa em que pensei foi na vertente do blues vinda do delta do Mississippi, o que automaticamente me levou a pensar: deve ser som triste. Na primeira audição, leia-se primeira faixa, achei que meu julgamento precoce seria confirmado. Mas como num salto, do fundo de um abismo para verdes planícies, a banda de San Diego, Califórnia, se faz valer de poderosas e agitadas notas e invoca almas angustiadas para se juntar ao coro que liderado por Matthew Vasquez, faz um belo trabalho vocal amalgamado num indie rock regado de temperos folk, sim, não é folk-rock ou anti-folk. Apenas um temperinho caipira. É aquele bom e velho indie tão peculiar à nossa década, com o folk tão peculiar ao fim da mesma década. Mas se você já enjoou daqueles grupinhos vestidos de marrom, barba por fazer e canção que não condiz com a realidade deles, tudo para besuntar músicas com letras oleosas e tendenciosas, esqueça de relacionar o Delta Spirit à toda essa farsa.

No álbum Ode to Sunshine, lançado em 2007, tem ótimas cargas de piano, um senso de produção apurado e competência de sobra para ligar o seu alerta e te abrir os olhos para os próximos trabalhos desse grupo que fará você lembrar do Cold War Kids. Dê uma olhada de primeira na locomotiva musical que 'Trashcan' apresenta ou na firme e calcada 'People C'mon' que apresenta uma bela letra, agonizante nos vocais e pausada em sua maior parte. Uma bela harmonia de fato. 'Parade' é enraizada no rock clássico, com acordes pitorescos e de levada rasteira e certeira. 'Bleeding Bells' desmonta o ouvinte com uma melancolia adocicada, algo de Bob Dylan no modo de conduzir a voz em meio à notas leves de violão, e interposições de instrumentos de sopro. Simples e belo.

Posso divagar aqui sobre muitos motivos que farão você babar no teclado e clicar no link abaixo. Querem que eu diga "isso é som de primeira" ou "coisa fina, vai por mim"? Vá baixar essa porra logo!

Set List

1- Tomorrow Goes Away
2- Trashcan
3- People C'mon
4- House Built for Two
5- Strange Vine
6- Streetwalker
7- People, Turn Around
8- Parade
9- Bleeding Bells
10- Children
11- Ode to Sunshine

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Dyed in the Wool - Shannon Wright

Muitas deusas que compoem o panteão do rock feminino já empoeiram seus doces pés na estrada há um bom tempo. Cat Power, PJ Harvey, Julie Doiron entre outras gozam de destaque em nossos dias, graças à dura plantação de sementes. Shannon Wright, americana nascida em Jacksonville, Flórida, é uma delas. Com voz repleta de personalidade, identidade sonora vinda de um peso extra em cada acorde, cada batida. Ao ouví-la, não há como não sentir um nevoeiro denso se instalando lentamente na mente. Sua voz suave disfarça bem a dor de suas letras, a mortalidade próxima, tangível em sua poesia. Mas nem tudo se resume ao negror da vida ou da sensação do fim da mesma. Dentro de cada cápsula de melancolia, existe um êxtase musical, fundamentos bem fixados do indie rock dos anos 90, uma despretensão em relação à perfeição, uma mescla de acordes angustiados da guitarra com toques suaves de piano, entrelaçados por batidas assimétricas que fazem o som rastejar, fazendo vítimas numa execução sorrateira, com resultado pernicioso.

Lançado em 2001, Dyed in the Wool o quarto álbum solo de Wright é devastador (solo sim, ela é ex-vocalista do Crowsdell). Usa de técnicas conhecidas pelo público, como também entra em experimentos de cunho melancólico. Com produção de peso, tendo Steve Albini como engenheiro de som e Andy Baker como produtor, Wright gozou de liberdade para estender sua visão musical, numa flexibilidade admirável. Ela incendeia qualquer receio com uma entrada triunfal na primeira faixa, 'Less Than a Moment'. Harmonia perfeita, indie rock de primeira e o vocal adocicado fazem da faixa um delicioso aperitivo, daquele que se fosse prato principal, seria bom da mesma forma. 'The Hem Around Us' é a faceta tristonha, uma especialidade da cantora. Cordas que choram em meio à uma batida quase fúnebre contrastam com a voz soberba, pretensiosa em acertar o sentimento. Na mosca. 'Vessel for a Minor Lady' é de beleza única, uma pérola encravada no meio de um álbum tão curto. Lamentável ser tão curto. A faixa que dá nome ao álbum 'Dyed in the Wool' é sólida, incontestável quando o assunto é rasgar estruturas em nome de algo experimental, algo que profane a sagrada mesmice. No início, Wright flutua com sua voz, se sobrepondo à guitarra. Batidas surgem e a música toma outros rumos. Toda vez que Wright canta "I will keep you sane", a melodia se intensifica, até que na última vez que ela canta, o pau come solto, dedilhadas rápidas nas cordas, seja da guitarra, seja do baixo, elevam o caos escondido em cada trecho dessa faixa sensacional, no melhor que esse adjetivo pode ter.

Não sei se pode ser a consagração da cantora. Mas Dyed in a Wool é de uma riqueza harmônica indescritível. Wright tem um vocal sedutor e ao mesmo tempo repelente. É agradável e perturbadora. Mexendo assim com nossos sentidos, fica difícil escolher se ela é doce ou amarga. Cá entre nós, tem hora que o amargo cai bem.

Set List

1- Less Than a Moment
2- The Hem Around Us
3- Hinterland
4- Vessel for a Minor Malady
5- You Hurry Wonder
6- Dyed in the Wool
7- Method of Sleeping
8- Surly Demise
9- Colossal Hours
10- The Path of Least Persistence (Figure II)
11- The Sable
12- Bells

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